O (mau?) caráter dos cookies depende de quem faz uso deles
Ufa, sim, mas por pouco tempo - é o que dizem as vozes discordantes do relatório. Em algum lugar, enquanto você lê esta matéria, milhares de computadores estão coletando e organizando informações sobre o que os presumíveis 60 milhões de usuários da rede estão fazendo e isto, definitivamente, não é bom.
Por várias razões. A mais grave: ninguém sabe o que será feito com as informações garimpadas a partir da ação dos cookies. Que você seja recebido com honras de chefe de estado num determinado site porque o servidor sabe - através de um cookie - que você já esteve lá, é uma coisa; outra, bem diferente, é vir a saber que este provedor vendeu uma base de dados, na qual você estava incluído, a uma empresa de spam. (A propósito: a JKP Enterprises, uma dessas empresas, acaba de enviar mais uma mensagem para a minha caixa-postal oferecendo uma base de dados com - pasmem - 92 milhões de e-mails! Céus! De onde vieram?)
O dilema atual dos cookies trafega na fronteira entre o que se pode (e, em alguns casos, até deve) estar à disposição da rede e aquilo que se quer manter em sigilo. Não é segredo para ninguém que a natureza da Internet tem a ver com o seu enorme poder de propagação.
É isso que diz uma bem montada FAQ (Frequently Asked Questions, antologia das melhores e mais pertinentes perguntas sobre um determinado assunto) sobre cookies, em www.cookiecentral.com, o website de referência sobre o tema. Pode-se bloquear permanentemente a entrada dos cookies mas, claro, isso tem um preço semelhante ao que teria na vida real.
Afinal, bancos e restaurantes também não aceitam clientes anônimos. Há quem diga ainda que os cookies correspondem, na web, à sua identidade digital. Se você não tinha pensado nisso até agora, deve estar curioso para saber que tipo de informações esses biscoitinhos armazenam. Por ora, nada de muito significativo.
Os mais comuns guardam uma linha, com a hora e o dia em que você esteve visitando um determinado website. Essa linha será enviada ao servidor para informá-lo da sua frequência como visitante, e para validar
a sua visita. Na sua visita seguinte ao mesmo website, o cookie avisa ao servidor que o visitante está retornando e manda soltar os foguetes de praxe. Há também os que registram o tempo de visita e abastecem o servidor com dados estatísticos sobre o sucesso (ou não) da home page. Um exemplo bem didático desse tipo de cookie fica em www.cookiecentral.com/js_cookie8. htm. Vale o clique.
Embora o relatório do Ciac tenha absolvido os biscoitos, seus autores lembram que o caráter inocente dos cookies está mais ligado à ética das empresas do que à sua tecnologia. O documento diz que, embora não se registre nenhum caso de mau uso das informações garimpadas via cookies, está claro que não existe nenhum empecilho técnico para que isso ocorra.
Um dos aspectos mais desagradáveis dessa tecnologia é o fato de que nunca se sabe, exatamente, que informações - sobre nós mesmos - estão guardadas nas nossas máquinas. Isto porque, tipicamente, os cookies são gerados por scripts, pequenos conjuntos criptografados de comandos. A razão: só o autor pode saber o que eles significam. Nenhum leigo (ou concorrente) pode abrir um cookie.
Se você nunca viu um de perto, dê um pulo num desses dois folders: c:/windows/cookies, se você for fiel aos produtos da Microsoft; ou c:/arquivos de programas/netscape/cookies.txt, se você usa Netscape. São arquivos em formato hexadecimal que, para um leigo, não fazem o menor sentido. Vá lá e depois me fala.
Ponto de partida: http://www.cookiecentral.com
Como se livrar deles: http://www.anonymizer.com
http://209.75.197.160/webkit/cookie-kit2.zip
http://www.luckman.com/
http://ayecor.com/cc.html
http://www.hidaho.com/cookies/cookie.txt
Ciac: http://www.ciac.org/ciac/bulletins/i-034.shtml
Java-Cookies: http://webreference.com/javas-
cript/961125/index.html





