O lado oculto da internet
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quarta-feira, 02 de abril de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
"Quando você acha que vai no Google e encontra o que quiser, isso não é verdade", diz Richele Grenge Vignoli, estudante de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para se ter uma ideia disso, ela faz analogia com uma cenoura. A internet que acessamos no dia a dia é apenas a parte visível do legume, que fica acima da terra. O que está abaixo da superfície é a deep web, invisível aos olhos dos buscadores e entre duas e 50 vezes maior que a web visível.
A deep web pode ser dividida em "dobras": entre elas estão a web privada (que exigem senhas para acesso), a web proprietária (cujo acesso é liberado mediante pagamento de taxa) e a dark web.
Esta última não pode ser navegada por browsers comuns, nem encontrada com o auxílio de buscadores como o Google. Isso acontece porque os sites da dark web não possuem um "nome", atribuído pelos servidores DNS (Domain Name System). Por isso, os sítios da dark web podem apenas ser acessados pelo seu número identificador, o IP.
A dark web pode ser explorada com o uso de navegadores especiais. O mais conhecido é chamado de Tor. Entre as vantagens atribuídas ao navegador está a dificuldade de rastreamento. O Tor funciona como uma rede peer-to-peer (ponto a ponto): fica hospedado em diversas máquinas. Quando está navegando, o usuário passa por várias destas máquinas, a fim de "embaralhar" sua localização. Por isso, a localização do usuário acaba sendo dificultada.
A soma destas questões pode explicar os motivos pelos quais a dark web é utilizada por pessoas com boas e com más intenções. Governos, jornalistas e militantes são alguns usuários, que buscam na "web escura" uma maneira de trocar informações sem correr o risco de ter seus dados vazados. Mas ao mesmo tempo, crackers, traficantes e terroristas usam esta rede para cometer crimes. Da mesma maneira que podem ser encontrados na dark web artigos científicos, livros raros e publicações censuradas, é possível comprar drogas, encontrar conteúdos pesados e/ou ilegais envolvendo sexo e morte e até contratar um matador de aluguel.
Exemplos que ficaram famosos foram o WikiLeaks, site fundado por Julian Assange por meio da qual fontes anônimas postam informações confidenciais de governos e empresas, e o SilkRoad, um site de venda de drogas. O SilKRoad foi descoberto pelo FBI no final do ano passado e o seu fundador foi preso.
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