Imagem ilustrativa da imagem O jogo virou
| Foto: Fotos: Divulgação



Os videogames voltaram a gerar debate nos EUA no mês passado, quando o presidente Donald Trump convocou uma reunião com grandes empresas ligadas ao setor para discutir a violência dos jogos eletrônicos após o massacre que deixou 17 mortos numa escola da Flórida, em fevereiro. A Casa Branca, aliás, divulgou um vídeo em seu canal no YouTube para apresentar cenas violentas de diversos games, o que deixou a comunidade mundial de jogadores enfurecida. O vídeo intitulado "Violência em videogames" tem mais de 1,4 milhão de visualizações e foi reprovado por 93 mil pessoas.

Não é de hoje que a sociedade americana tenta justificar casos de violência envolvendo jovens, colocando o peso da culpa nos videogames. Por outro lado, um movimento inverso e bem interessante tem acontecido atualmente: cada vez mais crítica e atenta aos debates atuais, a indústria de jogos tem trazido enredos fortes e ácidos nas suas criações, justamente para retrucar e criticar a sociedade americana, suas loucuras, ideologias e como ela vive. Parece que o jogo virou, não é mesmo?

O game mais recente que traz essa crítica ao "american way of life" é Far Cry 5, desenvolvido pela Ubisoft. O jogo em primeira pessoa (FPS) mostra uma equipe americana de soldados de elite em busca de frear um líder religioso chamado Joseph Seed, que arrebatou diversos fiéis em Hope County, zona rural de Montana, através de seus pensamentos fanáticos, escravizando pessoas num culto violento e cruel chamado Eden's Gate. "O caminho do Éden é nítido para aqueles que têm fé", diz uma dos três irmãos de Seed, também vilões no game.

Seed é chamado de "O Pai" e é tratado como a pessoa que levará seus liderados (ou seria escravizados?) ao paraíso, mas pensando em seus benefícios próprios. Apesar de um enredo um pouco simplista, o jogo consegue trazer em voga temas como fanatismo religioso, radicalismo ideológico, posse de armas, drogas, entre outros. Assuntos que doem na alma estadunidense.

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O JOGO
Pensando agora no gameplay, sem dúvida o carisma e loucura de Joseph Seed são pontos altos de Far Cry 5. Ele é violento, mas ao mesmo tempo fiel às suas convicções, o que traz segurança aos seus liderados e o caos delicioso ao jogar. Vilões carismáticos já são uma marca da franquia da Ubisoft desde Vaas Montenegro, ícone do terceiro título da série. Para muitos, o melhor de todos.

Em relação à ambientação do game, a Ubisoft adentrou em outro patamar em seus últimos títulos. Desde Assassin's Creed Origins, lançado no final do ano passado, que a publisher foca cada vez mais em jogos de mundo aberto extremamente livres e imersivos. Em Hope County não é diferente. Você pode andar por todo o território sem barreiras virtuais. Tudo é permitido numa paisagem belíssima, gigante e incrivelmente bem construída pela publisher.

Em relação à jogabilidade, não há erros no game. Os controles são facilmente absorvidos, com mecânicas fáceis e extremamente responsivas. Tudo é feito com muita tranquilidade, desde agir de modo furtivo para derrotar os inimigos até pilotar jet skis pelos lagos de Montana. Tudo isso, claro, com tiroteios intensos.

Uma crítica fica aos NPCs (inimigos não controláveis do jogo), que têm uma inteligência artificial bem duvidosa em alguns momentos do game. Você pode fazer barulho, chegar pela frente deles, e muitas vezes não perceber a sua presença. Talvez com atualizações, a Ubisoft consiga atenuar o problema.

Disponível para PC, Xbox One e PS4 e preço sugerido de R$ 249,90, Far Cry 5 é um jogo que sai do trivial trazendo debates bem pertinentes sobre a sociedade moderna. Definitivamente, os videogames estão num patamar bem mais crítico e distante da alienação, como muitos pregam. Ficou claro, Casa Branca?

* A Ubisoft enviou uma cópia do game (PS4) para que a reportagem da FOLHA realizasse o review.

Título já é considerado um dos melhores da franquia
A reportagem da FOLHA conversou com alguns jogadores londrinenses que já estão com algumas boas horas de gameplay em Far Cry 5. Segundo eles, o jogo entra para o rol dos melhores da franquia, brigando diretamente com o terceiro jogo da série, lançado em 2012.

O técnico em eletrônica Everton José Butarelli acompanha a série justamente desde o Far Cry 3 e está gostando do 5. Ele está jogando o game num Xbox One X, o que permite que ele se divirta em 4K nativo, com os melhores gráficos da geração atual. "Já joguei em torno de 20 horas e a parte gráfica está linda! A história também está bem legal, com o vilão superando o Vaas, do terceiro jogo. Ele se mostra bem determinado para conquistar o que quer. Acho que a série conseguiu voltar para um caminho legal depois do Primal, que foi um jogo bem ruim", salienta o gamer.

Outro ponto positivo citado por ele é a liberdade em explorar o mapa de Hope County. "O que era muito chato nos outros Far Cry era justamente ter que ficar liberando áreas do jogo (aos poucos). Era muito repetitivo e isso não existe mais no jogo atual."

Um empresário, Youssef Moussa Hakme Filho, também acompanha a série Far Cry desde o terceiro jogo e agora está quase no final do game atual, com aproximadamente 20 horas de gameplay. "Até aqui, estou considerando o game pau a pau com o terceiro, sem dúvida ele é melhor que o 4 e o Primal". Youssef também cita a fluidez do mapa, que sem aquelas travas dos jogos anteriores, deixam o game muito mais prazeroso de jogar. "A exploração fica muito mais orgânica", complementa.

Em relação à inteligência artificial, o empresário salienta que achou os inimigos meio burros, mas "nada que atrapalhe a experiência do jogo". Já a história, ele considerou mediana. "Não achei ruim, mas o fato do personagem que controlamos não ter rosto e não interagir muito com o que acontece, sendo um mero expectador, acaba atrapalhando um pouco. Neste sentido, acho que Far Cry 3 acabou sendo muito melhor."

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