O histórico de Santa Maria
Mais do que informar sobre os hábitos alimentares da fauna que habitou o sul do Brasil há cerca de 230 milhões de anos, os coprólitos da formação Santa Maria podem colaborar para a identificação de outros aspectos ambientais da época.
Segundo o paleontólogo, é possível supor, por exemplo, que o clima na região era seco, intercalado com períodos de grandes chuvas, nos quais se formariam planícies de inundação, alterando as condições de umidade do ambiente e favorecendo a proliferação de insetos. Conseguimos deduzir isso porque alguns desses coprólitos apresentaram bioturbações características de insetos coprófagos e também gretas de sinaereses, isto é, rachaduras ao redor do excremento típicas de depósitos em local aquoso. Talvez eles tenham caído em uma poça de lama e os gases que continham, ao tentarem sair, formavam pequenos corredores em torno das fezes, explica.
A comprovação dos períodos secos, segundo o pesquisador, fica por conta das raras bioturbações e das gretas de dessecação, profundas e longas na superfície do coprólito. Tudo o que os excrementos fósseis de répteis mamaliformes e dinossaurídeos me permitiram concluir corroborou com trabalhos anteriores de geólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz.
Outro ponto a ser considerado nos estudo do paleoecossistema do estado é o fato de a mesma quantidade de coprólitos registrada para esse momento geológico ter sido encontrada em outros continentes. Na Índia, por exemplo, há uma grande quantidade de coprólitos correspondente ao mesmo período geológico daquele do Rio Grande do Sul, sugerindo que essas faunas migravam em busca de alimento entre essas placas continentais interligadas.





