Na noite de 14 de julho de 1995 Waldyr Rodrigues Jr. bebia cerveja com o também matemático da Unicamp Jayme Vaz, em um bar de Barão Geraldo, Campinas (SP). ‘‘Falávamos de tudo, menos de matemática’’, lembra. E foi ali que ele teve o estalo. ‘‘Me ocorreu uma idéia que acreditei ser a solução que perseguia para uma daquelas equações’’, diz.
Waldyr deixou a cerveja pela metade e foi para o seu gabinete, no Instituto de Matemática da Unicamp. Inseriu no computador os números que havia imaginado e, quatro horas depois, tinha nas mãos 88 páginas impressas com cálculos que traziam a primeira solução que ele buscara durante meses. ‘‘Hoje’’, lembra, ‘‘tudo aquilo pode ser resumido em uma única página’’. Mas aquele calhamaço foi um verdadeiro ovo-de-colombo. Excitado, Waldyr trabalhou nos meses seguintes em busca de soluções superluminais para todas as demais equações da Física Clássica.
No final daquele mesmo ano de 95, o trabalho com estas soluções foi publicado pela primeira vez. Nem os matemáticos mais próximos a ele acreditavam. ‘‘Na verdade, tudo é simples, Uma vez encontrada a primeira solução, tudo veio com facilidade. Eu me sentia como se todos nós estivessemos envolvidos por um véu que nos impedia de olhar um palmo adiante daquilo que já era conhecido e codificado. E este véu tem um nome: a Teoria da Relatividade. Era como se todos nós estivessemos proibidos de olhar além dela e descobrir novas lógicas no Universo’’, afirma.
A práticaFoi depois disso que Waldyr teve o primeiro contato com o trabalho do biofísico chinês Jian-Yu Lu, radicado nos Estados Unidos. Naquele ano de 95 Jian-Yu trabalhava em pesquisa de ponta na área de ultrassom no Departamento de Fisiologia e Biofísica da Fundação Mayo, de Rochester, EUA. Ele buscava ondas não dispersivas para utilizá-las em ultrassom com fins médicos.
O pesquisador chinês conseguiria produzir ondas X em um sofisticado equipamento inventado por ele, mas ainda não dimensionara o alcance de sua descoberta, até que recebeu um telefonema do próprio Waldyr. ‘‘Quando eu soube do trabalho do Jian, não tive dúvidas. Ondas daquela natureza só poderiam ser ondas superluminais’’, diz. Waldyr enviou, então, seus trabalhos ao Jian e o convidou pessoalmente a vir a Campinas. A intenção era medir a velocidade de propagação das Ondas X em meio líquido, coisa que não preocupara o chinês no desenvolvimento de suas pesquisas.
Depois de três meses de trabalho teórico ao lado de Waldyr, na Unicamp, Jian voltou para os Estados Unidos e os resultados mais evidente de seus experimentos práticos estão expressos na ilustração publicada nesta página. A ilustração de cima mostra a forma de propagação de uma onda comum de ultrassom no meio líquido. A de baixo, a propagação de uma Onda X. ‘‘Veja como ao invés de se dispersar ela concentra-se, como se fosse um bólido’’, explica Waldyr. ‘‘E veja também como no mesmo intervalo de tempo ela já percorreu um espaço maior’’, conclui.
Para o olhar de um especialista estas duas imagens são surpreendentes. Primeiro, pelo próprio desenho da Onda X, que contraria tudo o que se conhece até hoje sobre propagação eletromagnética. Mas o mais importante é a característica superluminal destas ondas: as equações que determinam o limite da velocidade de propagação da luz são as mesmas que determinam o limite da velocidade de propagação do som e de todas as outras formas de ondas eletromagnéticas. Assim, se há uma onda de som capaz de se propagar com maior velocidade num meio líquido do que outra onda de som da mesma natureza, teoricamente nada impede a existência de ondas de luz capazes de se propagarem também a velocidade maiores.
O registro de ondas de luz com estas características está sendo tentado também na Unicamp, onde engenheiros do Departamento de Microondas da Faculdade de Engenharia Elétrica procuram desenvolver uma antena capaz de emitir Ondas X, superluminais, na faixa de ondas de luz do espectro eletromagnético.
Em outras palavras, estavam ali as primeiras evidências práticas de que as soluções teóricas apresentadas pelo professor Waldyr Rodrigues Jr. estão no caminho certo. E é por isso que têm provocado este imenso debate na comunidade científica mundial.(P.S.M.)

mockup