O deus do tempo é um menino
ReproduçãoImagem de satélite mostrando a formação de nuvens na América do Sul na última segunda-
feiraRevoluções
climáticas é o que promete a nova temporada do El Niño, femômeno que aquece
a superfície das águas do mar nas regiões central e leste do Oceano Pacífico e que, vem colocando
meteorologistas do mundo todo em polvorosa por causa de seus efeitos.
O fenômeno é cíclico, repete-se em intervalos de três a seis anos
e sua ação pode durar de três a quatro anos. A última vez que foi observado em um ciclo completo foi entre
os anos de 91 e 94, onde descobriu-se que, além do El Niño influenciar no índice de precipitação na
primavera, ele também provoca o aumento de chuva no outono e inverno seguintes, no caso de regiões
sujeitas a enchentes quando sob o domínio desse menino, como é o caso da
região Sul do Brasil.
O que vem causando espanto entre os cientistas do mundo todo é
o comportamento do atual ciclo do El Niño (conhecido por esse nome por se manifestar geralmente no mês
de dezembro, pelo surgimento da época do Natal) e que nesta temporada já deu as caras no mês de
fevereiro. Segundo levantamento recente divulgado pelo Inmet - Instituto Nacional de Meteorologia do
Ministério da Agricultura - que monitora diariamente o fenômeno, a temporatura das águas do Pacífico já
subiu 4,27 graus Centígrados. A média histórica é cerca de 3 graus C durante todo o ciclo. E na escala de
efeitos do El Niño, o fenômeno passa a ser intenso quando a diferença em relação a temperatura ultrapassa
sete graus.
O fenômeno rendeu inúmeros estudos. Entre os mais famosos está
o trabalho do cientista Edward W. Hedel, da Universidade da Flórida. Hedel mostra, através de um gráfico
extremamente colorido, as variações climáticas do atual ciclo do El Niño nos Estados Unidos. Segundo o físico
a temperatura no continente americano já sofreu uma variação de 5 graus C. Há estados americanos,
principalmente os do centro norte do país, onde a temperatura já subiu cerca de 3 graus C. Nestes lugares são
esperadas secas monumentais. O estudo é tão detalhado que o Escritório Nacional de Agricultura está
repassando aos agricultores americanos os resultados.
ForteConforme a National Oceanic and Atmospheric
Administration - NOAA - , um dos órgãos norte-americanos responsáveis, entre outras coisas pelo registro das
variações climáticas em todo o planeta, o fenômeno deste ciclo está sendo conhecido como El Niño/Oscilação
Sul ou simplesmente ENOS, e já é considerado como a mais forte manifestação do El Niño neste século.
Até agora a pior manifestação do fenômeno aconteceu nos anos
de 82 e 83. A confusão geral do clima causou danos estimados em U$ 25 bilhões em todo o planeta, de acordo
com o Serviço Metereológico da Grã-Bretanha.
A América do Sul passou por enchentes e secas, e os padrões
habituais de regime de chuvas foi virado de ponta-cabeça, pelo aquecimento das águas da placa marítima
oriental.
Segundo explica o cientista da NOAA, Georg H. Mills, um dos
primeiros a estudar o El Niño, o que está acontecendo este ano pode ser considerado totalmente atípico.
As águas do Oceano Pacífico equatorial na costa do Peru já estão cerca de 4 graus mais
quentes, isso em agosto. Esse estágio, em outros ciclos, só acontecia em dezembro. Segundo o
especialista o El Niño deve atingir sua intensidade máxima em dezembro e em maio de 98 começará a
enfraquer.
No Brasil, segundo Mills, o fenômeno vai provocar uma forte
seca no Nordeste, e fortes chuvas no sul. Este ano o fenômeno já provocou enchentes na Polônia, Índia e no
Rio Grande do Sul.
Cientistas do mundo todo tentam prever, cada vez com mais
antecedência, os efeitos do El Niño, o 13ºdesde 1950, mas a tarefa
ainda é difícil. Os técnicos do Ministério da Agricultura, por exemplo, não desgrudam os olhos dos satélites
que monitoram o fenômeno, mas as chuvas provocadas pelo El Niño só podem ser identificadas com bastante
precisão apenas dois dias antes. Em virtude dessa pouca margem de tempo, algumas alternativas estão sendo
pensadas. Segundo uma nota divulgada na semana passada pelo ministério, a idéia é reorganizar inclusive as
épocas de plantio, modificar as culturas e orientar os produtores para aproveitarem melhor os efeitos desse
terrível menino, que veio bagunçar de vez as quatro estações do ano.





