O computador nosso de cada dia...
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de outubro de 2000
Edna Mendes De Londrina 
Será que ainda é possível imaginar a vida sem a informática? Tudo indica que não. A cada dia ela se infiltra mais na vida das pessoas e tem se transformado numa aliada. Ou, tem quem ache, também tem nos escravizado. Mas a maioria concorda que ela está aí, presente em toda parte para nos ajudar, mesmo que às vezes complique um pouco. Quem imagina como seria tirar um simples extrato bancário ou efetuar uma compra com cartão de crédito sem a informática? Ou ainda escrever na aposentada máquina de datilografia?
Para quem já tem intimidade com computadores, palavras como software, hardware, patches, chat, e-mail e site, entre outras, são tão comuns como arquivo, carta, pasta de documentos para a maioria das pessoas que não conhecem o mundo virtual. Mas para a catadora de papel Lucimar Teixeira Costa, 45 anos, o computador ainda é algo que ela apenas ouviu falar. Eu sei que é uma coisa boa, mas não tenho a menor idéia de como ele funciona. Dizem que depois que o computador apareceu tudo ficou mais rápido. Será mesmo?, indaga, como se duvidando do poder da tecnologia.
A única certeza que Lucimar tem é que o computador ninguém consegue enganar. Meu marido foi tirar uma 3ª via da carteira de trabalho, mas mentiu que era a 2ª via. Só que o computador mostrou que ele estava mentindo. Desse jeito é mais fácil enganar as pessoas do que o computador, que não tem cabeça, acredita.
Cabeça ele não tem mesmo, mas tem memória. E quanta memória! A catadora de papel nem sonha o que essa máquina é capaz de fazer. Ela diz não entender como é que se pode namorar pela internet, fazer compras, armazenar documentos, ler jornais, livros e revistas, conhecer outros países, fazer reuniões de negócios, consultas médicas e cursos de línguas, por exemplo. Se for assim, vai chegar um tempo que as pessoas vão ser trocadas por computador, prevê Lucimar.
A coordenadora do projeto Gênesis da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Cleusa Rocha Asanome, é categórica em afirmar que não existe mais retorno sobre a influência da informática na vida moderna. Não há mais como voltar atrás. Isso é irreversível. A informática está mudando todos os conceitos. O computador veio para ampliar a capacidade intelectual das pessoas. Hoje, não precisamos mais ter tudo na nossa cabeça, afirma.
Cleusa acredita que em cinco anos, no máximo, as pessoas que não se adaptarem à informática serão excluídas do mundo globalizado. Vai mudar o conceito de que os excluídos são os analfabetos. Os excluídos serão os alheios à informática, ressalta.
A professora frisa que o avanço tecnológico tem muito mais pontos positivos do que negativos. Para ela, a falta de privacidade que a internet tira do internauta pode ser considerado o ponto mais negativo da ligação entre o homem e a tecnologia. Dependendo da situação a nossa vida pode ser invadida. É importante analisar até que ponto podemos perder nossa privacidade.
Se o mundo virtual ainda é uma realidade distante para muitos, uma grande parcela da sociedade já não consegue mais se imaginar sem a ajuda da informática, mesmo nas tarefas mais simples do cotidiano. A primeira coisa que faço pela manhã é ligar o computador para ler jornais e e-mails. Depois, já organizo e checo minha agenda e envio e-mails para meus clientes. Quando saio da frente da máquina é a vez da minha mulher, que vai procurar receitas culinárias, pesquisar sobre as tarefas escolares de nossos filhos, pagar contas e fazer compras, conta o empresário Joelson Kiatkosk. Já não sabemos mais viver sem o computador.


