Agência O Globo
Do Rio
Existem usuários de telefonia celular que conseguem hoje perambular por 142 países e desfrutar dos serviços de mais de 300 operadoras. O segredo deles é que seus aparelhos usam o padrão GSM (Global Systems for Mobile communication), www.gsm.org, um sistema que oferece uma estupenda qualidade de voz, além da possibilidade de transmissão de dados.
Mas de nada adiantaria uma rede tão sofisticada se o celular parasse de funcionar assim que o dono saísse de seu país. Através de acordos de roaming (capacidade de usar o celular fora de sua área básica de cobertura) estabelecidos pelo mundo afora, a norma GSM, que originalmente foi definida apenas como um padrão europeu, vem possibilitando a criação de uma rede verdadeiramente global. Assim, com um só aparelho e um só número, o usuário pode estar conectado no resto do mundo. Além disso, o GSM oferece facilidades tipo PBX e diversos novos serviços baseados em IP (Internet Protocol), incluindo mensagens unificadas, compartilhamento de aplicações, videotelefonia, aplicações de Call Center e muitas outras coisas.
As novidades nessa área andam tão badaladas que, no início deste mês, em Cannes, França, teve lugar o 2000 GSM World Congress, www.gsmworldcongress.com, um evento com 5.500 representantes de mais de cem países e 14 mil ávidos visitantes.
Como se sabe, o espectro eletromagnético é vastíssimo e abrange todas as emanações vibratórias que conhecemos, incluindo som, calor, luz, rádio, microondas, raios X, raios cósmicos, e por aí vai. Didaticamente, resolveu-se dividir esse espectro em bandas ou faixas de frequência. A telefonia celular, como qualquer outra manifestação eletromagnética, encaixa-se nessas faixas. Há alguns anos, decidiu-se que a faixa dos 1,9 GHz seria mantida limpa para aplicações futuras, numa iniciativa chamada WARC-92 e aprovada pela ITU (International Telecommunication Union), www.itu.int. O objetivo era estabelecer uma norma que, entre outras vantagens, permitiria ao usuário de celular o roaming mundial já no ano 2000.
Tudo ia bem, até que algumas empresas americanas resolveram jogar sujeira no ventilador. Como, nos EUA, a faixa logo abaixo, a de 1,8 GHz, fora ocupada por aplicações militares, decidiram invadir a de 1,9 gigas com os PCS (Personal Communication Services), www.whatis.com/pcs.htm - e aí começou a confusão.
Nessa mesma época, os EUA criaram os padrões CDMA e TDMA para telefonia celular e, espertamente, trataram logo de exportar essa solução doméstica para outros países (segundo uns, como forma de mantê-los sob seu cabresto tecnológico). E adivinhem quem caiu nessa...? Isso, acertaram: o Brasil! Resultado: nosso sistema é hoje inteiramente dependente dos poucos fabricantes que já se instalaram aqui.
O fenômeno do GSM no mundo é um prenúncio da terceira geração dos celulares, em que teremos serviços de ‘‘video on demand’’, multimídia de alta velocidade e acesso móvel à Internet. Espera-se que mais duas ou três tecnologias coexistam no mundo 3G que se abrirá em breve, implicando a fabricação de celulares que aceitam mais de um padrão. As primeiras redes 3G serão lançadas no Japão em 2001. Um bom FAQ sobre o assunto pode ser encontrado em www.gsm.org/technology/3g_faq.html. A terceira geração verá o GSM se transformando no seu sucessor, o IMT-2000 (International Mobile Te lecommunications-2000), www.itu.int/imt/, que visa a realizar o sonho da comunicação a qualquer hora e lugar. Este sistema tem como objetivo prioritário oferecer condições para acesso mundial sem-fio através da interligação das diversas redes já existentes de comunicação terrestre e via satélite, explorando a sinergia potencial entre as tecnologias de telecomunicação digital móvel e os sistemas FWA (Fixed Wireless Access - acesso fixo sem-fio). É uma bela idéia, mas está custando um pouco a sair do papel, tanto que se diz que estamos numa geração entre a segunda e a terceira, a geração ‘‘dois e meio’’. Para uma visão bem prática da aplicação do conceito 3G, uma ótima página é a da Nokia, em www.nokia.com/3g/.

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