ReproduçãoMedicamentos e terapias podem ajudar os depressivos a saírem do estado de tristeza crônica, ansiedade e autodesvalorizaçãoÉ comum no homem a sensação temporária de infelicidade. Comum também é ouvir ‘‘estou meio deprimido’’ ou ‘‘um pouco deprimido’’. Porém a depressão não é tristeza ou fossa passageira. Depressão é uma doença neuroquímica de base biológica. Quem sofre depressão tem uma diminuição de duas importantes substâncias químicas, a serotonina e a noradrenalina, conhecidas como neurotransmissores. Os neurotransmissores são produzidos pelos neurônios e são responsáveis pela ligação entre as células do cérebro.
Segundo a psiquiatra e psicoterapeuta Marilu da Silva Stock, ainda não se sabe o que ocasiona a queda no nível de neurotransmissores. ‘‘As causas são bem amplas. Sabe-se que fatores genéticos, ambientais, traumas, e doenças orgânicas podem desencadear a depressão em pessoas predispostas’’, explica ela.‘‘As oscilações hormonais na mulher principalmente gravidez e menopausa e drogas legais e ilegais aumentam consideravelmente as chances de depressão‘‘, completa o psiquiatra Heber Odebrechet Vargas. De acordo com ele, só em Londrina, a população de depressivos pode chegar a 40 mil. ‘‘A maioria dessas pessoas não vai ao especialista’’, alerta.
Algumas vezes a doença passa despercebida pelo próprio indivíduo. Medicamentos ‘inofensivos’ como os reguladores de apetite, remédios para hipertensão e corticóides podem predispor a depressão. Também drogas como cocaína, crack e álcool podem causar a doença.
A depressão séria caracteriza-se por uma multiplicidade de sintomas que podem levar até ao suicídio. Embora aja a necessidade do diagnóstico médico, entre os sintomas da doença estão tristeza, ansiedade, pessimismo, autodesvalorização, perda de interesse por diversas atividades, diminuição da libido, fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração. ‘‘Os sintomas podem variar conforme a pessoa. Algumas têm sonolência, outras insônia. Umas apresentam perda de apetite, outras excesso’’, afirma a doutora Marilu. Conforme ela, também é comum o depressivo apresentar sintomas físicos persistentes que não respondem a tratamento, como distúrbios digestivos e dores crônicas. ‘‘A pessoa passa por diversos médicos. Mas, enquanto não trata da depressão, não se cura’’, diz.
Pessoas constantemente negativas, que se cansam facilmente e reclamam sempre de falta de vontade podem sofrer da forma mais crônica e leve de depressão, a distinia. ‘‘Na distinia, os sintomas não são tão fortes mas, em geral, duram mais do que dois anos’’, explica o psiquiatra Heber Vargas.
HereditariedadeDados globais acusam que a depressão tem fortes traços familiares. Filhos de pais depressivos têm até 50% de chances de ter o problema. A reincidência é outro fator alarmante: 50% de chance para quem já teve um episódio depressivo e 80% para quem teve três episódios. Os mais vulneráveis são os adultos (dos 20 aos 45 anos) e mulheres, numa proporção de 3 para cada homem.
Segundo especialistas, a forma mais eficaz de tratamento para a depressão é o uso de medicação aliado à terapia. ‘‘É arriscado falar em cura porque os sintomas da depressão são muito subjetivos. Antes acreditava-se que a doença tinha apenas fundo psicológico. Hoje sabe-se que tem fundo bioquímico‘‘, acredita a psiquiatra Marilu’’. Até alguns anos atrás os medicamentos disponíveis no mercado se resumiam aos Tricíclicos e aos IMAO - Inibidores de Mono Amino Oxidase‘‘, afirma a médica. As desvantagens são os efeitos colaterais dos Tricíclicos e a dificuldade em associar outros medicamentos aos IMAO. Atualmente, os antidepressivos mais utilizados são os do grupo dos ISRS - Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina. ‘‘Os ISRS agem no cérebro para recapturar a serotonina. São muito eficientes. O problema é que esses medicamentos são muito mais caros do que os Tricíclicos’’, compara ela.
Cerca de 70% a 80% dos pacientes respondem de forma positiva ao tratamento psicofarmacológico, de acordo com o doutor Heber Vargas. ‘‘São lançados anualmente inúmeros antidepressivos. A indústria avança pela frequência com que essa patologia vem afetando as pessoas’’, analisa ele.
A terapia não responde tão rapidamente à doença quando os antidepressivos, mas são eficientes em tratamentos combinados. ‘‘Quase sempre indicamos uso de medicação e terapia. A dificuldade é que os convênios médicos não cobrem a despesa das sessões e muitas pessoas não podem pagar esse tratamento’’, conclui Marilu.

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