ReproduçãoCriança com doença de Chagas, em sua fase aguda: mal afeta 24 milhões de pessoas nas Américas Central e do SulA luz síncrotron tem um valor inestimável para a indústria de medicamentos. Um dos principais projetos desenvolvidos no laboratório de Campinas é a pesquisa de um remédio para combater o Mal de Chagas, doença que afeta 24 milhões de pessoas na América Central e do Sul. Há alguns anos se sabe que uma proteína, a enzima glicolítica, é vital para a sobrevivência do parasita responsável pela transmissão da moléstia. O que a indústria farmacêutica busca é uma substância capaz de destruir esta proteína, aniquilando o parasita. Para isso, é preciso penetrar na estrutura profunda da proteína, descobrir seu comportamento e encontrar outras substâncias que possam anular seus efeitos, da maneira mais eficiente possível e sem afetar outras proteínas essenciais para o corpo humano.
Em abril deste ano, moléculas da enzima glicolítica pegaram carona no ônibus espacial Columbia. O objetivo do experimento era cristalizá-las no espaço, sem os efeitos da gravidade. Isso permite a obtenção de cristais perfeitos e mais fáceis de serem estudados. a missão espacial, prevista para durar 16 dias, levou 33 experiências científicas e teve que ser reduzida devido a uma falha no gerador elétrico da nave. Mesmo assim algumas moléculas da proteína foram cristalizadas.
Esses cristais, agora, estão sendo, analisados em Campinas no Laboratório Nacional da Luz Síncrotron. ‘‘Eles são bombardeados pela fonte de luz e isso permite que possamos conhecer a posição de cada átomo que constitui a proteína, abrindo uma grande perspectiva para o desenvolvimento de uma droga que iniba a sua ação’’, explica o coordenador do experimento, o físico Gláucio Oliva, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo.
A partir deste mesmo tipo de método, a indústria farmacêutica utiliza a luz síncroton para desenvolver proteínas, catalisadores e outras moléculas utilizadas na produção de remédios.

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