Novos produtos em multimídia fazem resgate da memória da sétima arte no Brasil
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quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Agência Globo 
ReproduçãoPioneirosLelita Rosa foi capa da revista Cinearte que, de 1926 a 42, foi a principal publicação da área cultural no BrasilO MostraRio, festival de cinema que exibiu na última semana mais de 150 filmes no Rio de Janeiro já foi encerrado, mas para aplacar o gostinho de quero mais, que sempre fica depois de um evento como esse, os informatas-cinéfilos têm ao menos duas boas opções recém-chegadas ao mercado de CD-ROMs: Cinema Brasileiro Anos 60 - Uma câmera na mão, uma idéia na cabeça e Pioneiros do cinema brasileiro.
Ambos integram as centenas de atrações que foram programadas para essa nona edição da mostra e exaltam a produção cinematográfica nacional. O primeiro foi lançado na semana passada, durante o evento, e o segundo foi apresentado oficialmente na última segunda-feira, às 19h, no Espaço Unibanco. Para fechar em grande estilo o festival.
Produzido pela Riofilme, Cinema Brasileiro Anos 60 apresenta, a partir de uma cronologia da década de 60, a ebulição por que passou o cinema brasileiro nesse período. E basta uma rápida navegada pelo CD-ROM para se deparar com ícones da nossa cinematografia: Macunaíma, Boca de ouro, Terra em transe, Heitor dos Prazeres, O Bandido da Luz Vermelha, Os cafajestes,Vidas secas, Tocaia do asfalto, Bahia de Todos os Santos, Lampião, o rei do cangaço e por aí vai.
Com versões em português e inglês, o CD-ROM oferece no menu principal seis opções básicas de consulta: filmes, realizadores, entrevistas, bibliografia, cronologia e ensaios (dois). Todos esses links remetem, de alguma forma, a textos sobre os filmes, fotos, trechos das obras e áudio. Não é pouca coisa.
Além da reconstituição cinematográfica ( há 232 fichas de textos com fatos marcantes da década, por exemplo), são apresentadas dez entrevistas atuais com personalidades do mundo do cinema. Com depoimentos que variam de 15 minutos a uma hora e meia, estão lá Cacá Diegues, Julio Bressane, Norma Bengell, Eduardo Escorel, Geraldo Sarno e Nelson Pereira dos Santos, entre outros nomes.
Procuramos reunir pessoas ilustres de diferentes áreas do cinema, diz José Carlos Avellar, diretor da Riofilme. Assim, temos montador, produtor, idealizador de curtas, atriz, crítico, todos falando sobre o cinema dos anos 60.
Já Pioneiros do Cinema Brasileiro, produzido pela Melhoramentos e a EMC - Empresa de Marketing Cultural, explora outro período da produção nacional: de 1897 a 1936, ou seja, dos primórdios do cinema no Brasil ao surgimento dos filmes sonoros. Bastante abrangente, o CD-ROM é uma herança que o bravo pesquisador Jurandyr Noronha, de 82 anos, está deixando para a nova geração. Responsável pelo exaustivo trabalho de criação do banco de dados que deu origem ao CD-ROM, Jurandyr é autor de um livro homônimo (de 1994) e de diversos documentários sobre cinema no País. Com sua memória invejável quando o assunto é a sétima arte, ele é a alma do software: boa parte da matéria-prima do CD-ROM vem do Arquivo Jurandyr Noronha, guardado no Museu da Imagem e do Som.
Não bastasse isso, ele pessoalmente catalogou dados, checou todas as informações e garimpou o País, para entrar em contato com alguns de seus contemporâneos. Foi numa dessas que teve a grata surpresa de encontrar o veterano cinegrafista Thomaz de Túlio, hoje com 95 anos e um dos pioneiros dos ciclos cinematográficos de Campinas e Porto Alegre.
O menu principal impressiona: estúdios, filmes, equipamentos, cinemas, fotos & cenas, pessoas & empresas, bibliografia & testes (muito interessantes, aliás!), entre outros. São 675 filmes cadastrados, 771 fotos, 25 sequências com imagens animadas e verbetes sobre 1.703 personalidades. Ufa! É quase uma enciclopédia.
Serviço: Cinema Brasileiro Anos 60 é compatível com Mac e PC e custa R$
30. Pioneiros do cinema brasileiro, para PCs, custa R$ 55.


