A prestação de serviços Internet no Brasil está entrando numa nova fase: a busca por tecnologias que garantam acessos mais velozes. De um lado, estão as operadoras de telecomunicações com a tecnologia ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line), que aproveita a estrutura de cabo de pares da linha telefônica convencional para fazer o tráfego de dados. Do outro, estão as operadoras de TVs por assinatura, que receberam em dezembro a autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para iniciar testes com o provimento de serviços Internet. Neste caso, a infra-estrutura usada é o acesso via infra-estrutura de cabos coaxiais e de fibra óptica.
Enquanto as TVs por assinatura iniciam a prestação do serviço de acesso ao ciberespaço em caráter experimental, as operadoras de telecomunicações já inauguraram oficialmente o acesso à Internet com ADSL. A Telebahia e a CTBC Telecom estão nesse time. Mas, qualquer que seja a tecnologia, o usuário brasileiro, que este ano já participou de uma greve para reivindicar diminuição nos custos de acesso, terá que desembolsar mais dinheiro para aproveitar os serviços que prometem conexão ininterrupta e navegação mais veloz.
Em alta no ciberespaço, os termos ADSL e cable modem tomaram conta das conversas de internautas, veteranos e novatos. Se você ainda não ouviu falar nada sobre isso, está na hora de atualizar seus conhecimentos, porque até o fim do ano provavelmente haverá algum provedor interessado em lhe oferecer um acesso à Internet com uma largura de banda maior. O ADSL oferece acesso assimétrico, isto é, a velocidade com que é feita transmissão do provedor para a casa do usuário é diferente da velocidade que trafegam os dados enviados da casa do usuário para o provedor.
Quando o tráfego é feito no sentido provedor-usuário, as taxas de transmissão podem chegar a 640Kbps. No sentido contrário, a velocidade atinge até 12Mbps. Nos dois casos, é preciso lembrar que a velocidade vai variar de acordo com os equipamentos e com a distância da casa do usuário da operadora de telecomunicação. Isto acontece porque com o ADSL, a estrada por onde trafegam os dados e as imagens é a mesma usada para as ligações telefônicas. Então, à medida em que essas distâncias ficam maiores, as características elétricas da rede da linha telefônica também aumentam, provocando redução da velocidade das taxas de transmissão.
Como o mesmo par metálico de fios que encaminha o sinal de voz nas ligações telefônicas passa a ser utilizado também para o tráfego de dados e imagens, na operadora, um equipamento chamado DSLAN concentra os acessos feitos pelos usuários, e os sinais de voz, dados e imagens são separados por um splitter (divisor). O modem de ADSL instalado na casa do usuário tem um splitter para a separação do sinal. Assim, pode-se navegar e falar ao telefone ao mesmo tempo com uma só linha telefônica.
Até o ano passado, um dos grandes empecilhos para a disseminação do ADSL era a falta de padronização dos equipamentos. Espera-se que, com o estabelecimento do padrão, o preço dos modems caia. Roberto Szabó, coordenador do Serviço Internet da Telebahia, diz que hoje o preço do modem para o usuário final está em torno de US$ 600, mas este valor deverá baixar para US$ 200 até o fim do ano.
Com a infra-estrutura das TVs a cabo, o usuário também tem acesso ininterrupto à rede. As taxas de transmissão dos dados chegam a 10Mbps, mas esta velocidade é compartilhada por todos os usuários do sistema. De acordo com Arthur Steiner, diretor de Novos Negócios da Globocabo, que já está fazendo testes com o acesso à Internet, o preço dos serviço vai depender da velocidade de acesso escolhida pelo usuário. Steiner diz que a taxa inicial deverá ser de 128Kbps.
Luiz Carlos Damasio, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Cisco, explica que a operadora de TV a cabo pode criar diversos tipos de acesso com taxas diferenciadas de transmissão. Além do número de usuários, a velocidade do sistema vai depender do tipo de equipamento e da configuração usada pela operadora de TV a cabo.
Na casa do usuário, o cabo da TV será dividido em duas partes: uma, conectada à setop box do sinal de TV, a outra ao cable modem, que, por sua vez, será ligado ao micro com uma placa Ethernet. Na operadora, existe um concentrador e roteador, que será ligado a uma infra-estrutura de Internet, além de fazer a comunicação com o usuário.
A rede de TV a cabo é formada por um backbone de fibra óptica. Deste anel até a casa do assinante, o sinal trafega por uma rede de cabos coaxiais ligados ao backbone através de hubs, que têm a função de traduzir o sinal do meio óptico para o meio elétrico. Então, antes de chegar à central da operadora, os dados que saem da casa do usuário, enviados pelo cable modem, passam por uma rede HFC (Hibrid Fiber Coax) e por sistemas de terminal de cable modem (CMTS), de onde são enviados para o backbone de fibra óptica.
Damásio diz que a infra-estrutura de TV a cabo que usamos é muito recente e por isso já foi construída com recursos para suportar um tráfego bidirecional. Isto está facilitando o trabalho das operadoras. De acordo com o gerente de negócios da Cisco, o próximo passo na tecnologia de cable modem é reunir num único setop box a entrada para TV e a conexão com o micro.
O primeiro exercício de acesso à Internet com taxas de transmissão na casa dos Mbps no Brasil foi feito pela TV Filme, operadora de TV por assinatura que atua na Região Centro-Oeste e em Belém. Em dezembro de 1997, a empresa anunciou a inauguração de seu serviço de acesso à Net, o Link Express, com velocidade de transmissão na casa dos 27Mbps. Só que a TV Filme opera com tecnologia MMDS (Multichanel Multipoint Distribution Service ou Serviço de Distribuição de Sinais Multiponto Multicanal), em que os sinais, na faixa de microondas, são transmitidos por antenas, como as ondas de rádio.
No sistema adotado pela TV Filme, a comunicação entre o provedor e o usuário é feita em alta velocidade porque o meio de transmissão é a faixa de microondas. Mas, no sentido contrário, o tráfego da informação é feito através de linha discada, e as taxas máximas são de 33.600Kpbs. É preciso deixar claro que a velocidade de download (tráfego no sentido provedor-usuário), que chega a 27Mbps, também é compartilhada. Marcos Daniel, gerente de Projetos Especiais da TV Filme, diz que de acordo com o número de usuários conectados, cada internauta pode conseguir um download de 2Mbps.

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