Novo medicamento garante a ereção
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domingo, 02 de maio de 1999
Carmen Kley Enviada especial 
Dois por cento da população masculina brasileira acima de 20 anos sofre de impotência sexual. Os dados são de estudo feito com 2 mil homens, pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e foram divulgados semana passada, em São Paulo, durante o lançamento do remédio Vasomax, da Schering-Plough, indicado para a disfunção erétil (dificuldade em ter ereção).
Segundo Joaquim Francisco de Almeida Claro, professor-assistente de Urologia da Unifesp, a incidência do problema no Brasil é pequena, se comparada com os números levantados em 1994 pela Universidade de Boston. De acordo com a pesquisa norte-americana, 10 por cento dos homens apresentam algum tipo de disfunção erétil. O estudo, que envolveu 1,7 mil voluntários, constatou que 58 por cento dos homens acima dos 50 anos têm disfunção erétil. Já os dados da Unifesp estimam que de 30 a 35 por cento dos brasileiros na mesma faixa etária sofrem desse problema.
Claro atribui a dois fatores essa superioridade sexual do brasileiro: o sex-appeal da mulher brasileira e a alimentação. Segundo ele, os americanos consomem mais gordura e têm taxas mais elevadas de colesterol. Os alimentos ricos nessas substâncias podem causar doenças como hipertensão e, com isso, aumentar a incidência de impotência sexual, explicou.
Quanto ao papel da mulher nessa estatística, Claro acredita que as brasileiras são mais predispostas ao sexo. Já num estudo realizado na Inglaterra e nos Estados Unidos, 52 por cento das mulheres disseram preferir fazer compras a fazer sexo.
Em termos estatísticos e comparativos a impotência sexual não chega a assustar. Mas são 10 milhões de brasileiros com algum grau de dificuldade em conseguir e/ou manter uma ereção. Isso talvez explique o fenômeno de vendas do primeiro medicamento via oral para o problema. Graças ao Viagra (Pfizer) o mercado de remédios contra a impotência no Brasil saltou de R$ 3 milhões em 1997 para R$ 21 milhões no ano passado. Calcula-se que, até o final deste ano, o Viagra terá gerado US$ 1,4 bilhões de dólares em todo o mundo.
Já o Vasomax chega ao mercado após um investimento de US$ 6 milhões para provar sua eficácia, segundo o diretor presidente da Schering-Ploug, Gian Enrico Mantegazza, e com o aval de 20 estudos internacionais envolvendo 3.800 pacientes. Já comercializado no México com o nome de Z-Max e com previsão de chegar ainda este ano aos mercados europeu e norte-americano, o medicamento tem como princípio ativo a fentolamina, que atua bloqueando a ação da noradrenalina e, consequentemente, estimulando a ereção.
A fentolamina foi utilizada nas décadas de 50 e 60 para o tratamento da hipertensão arterial, em múltiplas doses e com efeitos colaterais importantes. Já nos anos 70 e 80 passou a ser usada em forma de injeção direta no pênis (intracavernosa), desta vez com poucos efeitos colaterais, mas num processo bastante desconfortável para o paciente. A partir dessas experiências foram feitos novos estudos farmacológicos e clínicos, chegando-se à formulação do Vasomax: mesilato de fentolamina, em comprimidos de 40 mg de dissolução rápida, com eficácia por via oral e indicação específica e única para o tratamento da disfunção erétil. O remédio pode ser administrado inclusive a pacientes com problemas cardíacos, hipertensos e diabéticos. Entretanto, como avisa a bula, não dispensa estímulo sexual.
Não há contra-indicação nem efeitos colaterais, a não ser em pacientes em que a relação sexual em si seja desaconselhada pelo médico, enfatizou Joaquim Francisco de Almeida Claro, que, inclusive, já prescreveu a droga para mulheres. A maioria relatou aumento da lubrificação e da elasticidade vaginal, maior sensibilidade nos órgãos genitais e uma frequência maior de orgasmos clitorianos, disse o urologista.
Celso Gromatzky, professor do Departamento de Urologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, também presente ao lançamento do remédio, disse que não prescreveria o Vasomax para mulheres e condenou veementemente o que chama de uso recreativo de medicamentos. A posição oficial do laboratório Schering-Plough é de que a droga, até que pesquisas provem o contrário, não possui indicação clara para uso do paciente feminino.


