Novidades podem não justificar a troca
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quarta-feira, 11 de março de 1998
Agência Folha 
ReproduçãoRecursoCom o TV Viewer, o Win98 vira uma pequena televisão, desde que a máquina tenha uma placa de vídeo específicaMais uma vez o lançamento da Microsoft leva centenas de técnicos e usuários a se debruçarem sobre o produto tentando antecipar as novidades, problemas e vantagens sobre a versão anterior. Com o Windows 98 não poderia ser diferente. a Agência Globo faz uma avaliação sobre a versão beta do sistema operacional e fez algumas considerações.
Com a palavra, o repórter da agência: depois de apanhar de outras betas de sistemas operacionais, me tornei mais defensivo. Antes de iniciar a instalação, reduzi a resolução do vídeo para 800 x 600, 256 cores e copiei todo o diretório de instalação do CD para o HD. Medidas bestas, mas que me garantem continuidade caso o CD não seja reconhecido pelo novo sistema no boot seguinte, e deixa o vídeo pronto para qualquer driver de vídeo.
O Windows 98 está anunciado para meados do ano e já circula a versão candidata a final, conhecida como RC1 (Release Candidate 1), distribuída no fim de janeiro.
Mas vamos à fera. Se o 95 era um campeão de vendas, o 98 talvez tenha alguma dificuldade para isso. Suas principais inovações não justificam o custo da troca para a maioria das empresas. O novo formato de FAT32 já estava disponível no 95 OSR2. O novo código de rede, idem. O IE4 roda no 95 sem problemas e é distribuído a quem deseja atualizar.
Vários utilitários foram melhorados, alguns de forma ainda discutível, como o Defrag, que agora usa uma análise dos aplicativos instalados para reorganizar o disco visando melhor desempenho.
Se a desfragmentação do disco já era discutível, determinar a melhor organização em função dos aplicativos vai às raias. Se você não se lembra do que faz o Defrag, eu lembro. Ele coloca os arquivos juntos, em ordem preestabelecida, minimizando o movimento da cabeça de leitura/gravação. Isso é muito importante, pois o mais lento do disco é exatamente esse movimento físico.
É discutível. Por quê? Cada aplicação tem suas características. Na maioria dos casos, manter os arquivos contíguos é uma ótima. Um editor de textos, normalmente, lê o texto todo de uma vez. Agora imagine um banco de dados. Um caso simples: uma tabela com dados de empresas clientes e outra com os contatos das empresas da primeira tabela. E suponhamos que essas tabelas estejam em base de dados dBase.
Portanto, em dois arquivos distintos. Localizar uma empresa e depois seus contatos ficaria mais rápido se os dois arquivos estivessem entrelaçados e mais lento se desfragmentado, como faz o Defrag atual. Sentiu então como complica? Acredito que isso algum dia será feito rapidamente e com resultados maravilhosos. Mas no 98 ficou lento, com resultados bem discutíveis.
Utilitários novos aparecem no 98. Um deles, o TV Viewer, apresenta uma pontinha de um iceberg gigantesco. É um programinha para ver televisão num micro equipado com placas apropriadas. Parece besteira e supérfluo, mas por trás dele existe um sem-número de implicações que discutiremos aqui outro dia.
O Internet Explorer 4 é o navegador do sistema e toda a interface do usuário passou a ser feita via IE4. A barra de tarefas ganhou mais funções, ficando mais fácil de operar. Coisas simples, como o aparecimento de um ícone para a pasta Meus Documentos induz o usuário a separar seus arquivos pessoais dos arquivos do sistema, facilitando o backup.
O Explorer, por sua vez, ganhou algumas das facilidades do IE4 e, com isso, você passa a ter imagens como fundo e ganhou o thumbnails preview - uma visão rápida do conteúdo de cada arquivo, sempre que possível, como se fosse um ícone grandinho, sempre que você o seleciona.
O velho DOS teve mais código de 16 bits substituído por código 32 bits e como consequência o sistema tende a ficar mais protegido. Ainda não é nenhum NT, mas melhorou bastante.


