Novas tecnologias propõem web veloz
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de fevereiro de 1999
Jay Dougherty, Deutsche Presse Agentur 
William Meischeid já quase se esqueceu dos tempos da navegação à superlenta velocidade de um modem de 56Kbytes. Hoje, na tela desse instrutor técnico de Maryland, as páginas da rede mundial www aparecem como se tivessem saído do próprio disco rígido de seu computador. Programas que levavam horas para ser transferidos com um modem standard são carregados agora em questão de segundos.
Estou encantado, diz Meischeid, acrescentando: Pude inclusive compartilhar esta velocidade pelos dez computadores de minha rede e nota-se apenas uma pequena redução. Seu segredo: acesso à Internet através de cabo, administrado pela companhia local de televisão a cabo. Os modems por cabo não são, entretanto, a única solução de acesso de alta velocidade à Internet lançada a partir de 1999.
Espera-se que as companhias de telecomunicações, as empresas de comunicação por cabo e as empresas elétricas comecem a competir pela preferência e pelo bolso dos usuários de Internet em um futuro próximo. Do ponto de vista do rendimento, os primeiros nessa disputa por conexões mais rápidas são os modems por cabo, a chamada Linha Digital Assimétrica (ADSL), os satélites e ainda os acessos pelas linhas de energia elétrica.
Apesar de a implementação e a disponibilidade desses modos de acesso serem muito variados, a finalidade é a mesma: acelerar a velocidade com a qual o conteúdo da Internet, cada vez mais denso, alcança o usuário.
E o que ocorre com a Rede Digital de Serviços Integrados (RDSI)? Apesar de ser o único acesso de alta velocidade disponível atualmente em muitas partes do mundo - especialmente a América do Norte e a Europa, onde o telefone digital está em quase todos os lares - muitos da indústria de computação já consideram a RDSI coisa do passado.
Esta rede, que fornece a informação através de um modem ISDN a uma velocidade máxima de 128 quilobytes (Kb) por segundo, é apenas quatro vez mais rápida que um modem de 28,8 Kb - realmente lento, se comparado aos melhores acessos à Internet disponíveis hoje e num futuro próximo.
A tecnologia de comunicação por cabo ganha cada vez mais terreno. O modem por cabo se conecta à mesma rede de televisão a cabo, em locais onde ela existe. Para utilizá-lo, o usuário deve receber acesso à Internet através da empresa de TV a cabo. O computador deve estar equipado com uma placa interface de rede local (NIC), que se conecta a um modem externo por cabo, o qual, por sua vez, está conectado ao cabo de saída instalado pelo provedor de cabo local.
Uma vez instalado tudo isso, a velocidade do modem é surpreendente. Arquivos de gráficos, textos, vídeo e áudio podem ser transferidos da rede a velocidade 50 vezes superiores que as obtidas por um modem análogo normal. Ou seja: com um modem por cabo pode-se transferir um megabyte de dados em apenas 15 segundos, comparado com os seis a oito minutos com um modem standard - e dos bons.
A transferência de dados para a rede, entretanto, é outra coisa. A maioria das companhias de comunicação por cabo do mundo interessadas em oferecer serviço de Internet tem primeiro que atualizar suas redes e cabos antes de permitir comunicação dual, isto é, nos dois sentidos. Até o momento, muitos usuários têm de enviar dados do seu computador para a Internet através de um modem standard.
Além disso, o acesso à Internet através de um modem por cabo ainda é um meio compartilhado, o que significa que, ao aumentar o número de usuários do cabo, a velocidade diminuirá.
A maioria das companhias telefônicas do mundo industrializado se esforça para ser competitiva no mercado dos modems por cabo. A solução em muitas zonas é a ASDL, abreviatura de Linha Digital Assimétrica para Assinantes. A tecnologia ADSL utiliza um sinal digital especial nas linhas telefônicas comuns, permitindo ao usuário navegar pela Internet e comunicar-se por voz ou por fax através da mesma conexão telefônica.
A ADSL é quase tão rápida quanto um modem por cabo. Muitas companhias telefônicas nos Estados Unidos e alguns países europeus planejam oferecer a ADSL como brinde de um serviço telefônico normal.
A ADSL tem pelo menos uma importante vantagem sobre os modems por cabo: a tecnologia não é compartilhada, de modo que não há riscos de redução no rendimento.
Outro forte competidor em potencial em matéria de conectividade é o acesso à Internet via satélite. Para isto, é preciso instalar uma antena do tipo pizza no telhado e assinar um serviço mensal.
O uso da comunicação via satélite tem óbvias vantagens em países ou zonas rurais onde não existe a tecnologia de cabo, e onde as companhias locais oferecem poucas opções de alta velocidade, seja nos pampas argentinos, na Amazônia brasileira ou em uma ilha do Caribe.
A comunicação por satélite satisfaz ao menos em um sentido os ideais da Internet: é mundial, afirma Scott Clavenna, analista da Pioneer Consulting, uma empresa norte-americana de pesquisas no mercado de computação.
Em algumas partes do mundo, as companhias de eletricidade estão incursionando também pelo ramo de acesso à Internet. Na Alemanha, a empresa Energie Baden-Wurttemberg (EnBW) lançou recentemente um programa piloto de acesso à Internet para determinadas regiões do país.
As empresas elétricas tentadas a oferecer acesso à Internet através de seus cabos poderão abrir um enorme mercado se conseguirem solucionar alguns problemas técnicos.
Essa tecnologia é de grande importância estratégica, porque os cabos elétricos chegam a todos os lares e além disso a todos os cantos da casa, diz Jens Vesper, expert em telecomunicações da empresa Eutelis Consulting de Ratingen, na Alemanha.
As linhas de eletricidade conectam o usuário a velocidades de até um megabyte por segundo e podem oferecer serviço permanente, isto é, sem o detestável tempo de espera para a conexão.
Qual dessas tecnologias se imporá sobre as demais? Para o futuro imediato, é impossível prevê-lo. Os especialistas ressaltam que a forma de conexão à Internet além do modem análogo atual dependerá em parte do que a infra-estrutura da zona oferecer.
Por enquanto, assinala Sam Book, da empresa norte-americana Strategis Group, uma consultoria de telecomunicações, o consumidor aproveitará todo o acesso de alta velocidade que possa ter, sempre que o preço for razoável.
O que se pede é acesso rápido, e agora mesmo, comenta Book, mas a maioria não o terá antes do ano 2001.


