Novas medidas para o velho universo
Durante mais de um século, os astrofísicos acreditaram que o nosso sistema solar estava localizado nas bordas da galáxia e que percorria um caminho praticamente circular em torno do seu centro. A distância calculada do nosso sol a esse centro da galáxia era de 28 mil anos-luz (28 mil anos de viagem à velocidade da luz). Agora dois astrofísicos britânicos Michael Merrifield e Robert Olling, da Universidade de Southhampton chegaram a uma medida diferente. Segundo os dois cientistas comprovaram, a distância mais precisa é de 24 mil anos-luz. Em termos astronômicos, essa diferença é praticamente nula. Porém, como os astrofísicos usam a Via Láctea como padrão para calcular distâncias e volumes no resto do universo, os cálculos de Merrifield e Olling comprovam que nosso universo é 10% menor do que se pensava até hoje.
Uma conclusão como essa pode parecer totalmente estratosférica e sem nenhuma implicação em nosso dia-a-dia. É claro que se não superarmos alguns obstáculos tecnológicos para a grande conquista do universo - como o limite da velocidade da luz estabelecido por Einstein - não adianta nada para nós, em termos práticos, sabermos que o universo é alguns milhões de anos-luz menor do que nossos cientistas acreditavam.
Arquivo FolhaO sol fica mais ao centro da galáxiaEntretanto, nem só os aspectos práticos imediatos são objeto de interesse e pesquisas científicas. Quando novas medições comprovam que o universo é menor do que se pensava, a primeira implicação é que ele é também mais jovem. Em outras palavras, significa que o célebre Big Bang, a explosão primordial que originou tudo, ocorreu há menos tempo. Na verdade, o assunto é muito complexo e rompe nossa capacidade lógica costumeira. O que a ciência acredita hoje é em uma versão semelhante à do Gênesis, no Antigo Testamento: antes do Big Bang não existia nada, nem espaço, nem tempo.
Mais interessante ainda é que essa versão do Antigo Testamento agora está sendo aceita pelos astrofísicos em virtude de implicações contidas em outra antiga tradição: o taoísmo. Segundo o taoísmo, tudo o que existe baseia-se em duas polaridades: negativa e positiva. Do encontro com essas duas polaridades nasce toda a matéria e toda a energia. Pois é exatamente isso o que acredita a atual astrofísica: a energia gravitacional tem polaridade negativa e a energia material polaridade positiva. A polaridade positiva da matéria cancela a polaridade negativa da gravidade e o resultado disso é zero, o nada.
A ciência oficial não faz a analogia entre essa teoria e o taoísmo. Talvez nem sequer a conheça. Porém é graças a ela que grande parte dos mais eminentes cientistas da atualidade acredita que tudo: matéria, espaço e tempo, tenha nascido do nada. Há pouco tempo, fazer uma afirmação como essa seria uma grande heresia, pois a ciência ainda se baseava exclusivamente em pensamentos newtonianos, como o de que leis naturais válidas em nosso planeta seriam válidas em qualquer ponto do universo. E como aqui nada pode ser criado do nada, o universo, por decorrência, também não poderia ter sido criado do nada.
A cada dia que passa, principalmente depois do desenvolvimento de novas teorias a partir da física quântica, descobre-se que o universo, a matéria, a energia, o espaço e o tempo são muito diferentes do que pensávamos. E o mais curioso de tudo é que a ciência, cada vez mais, converge para explicações e cosmogonias citadas em tradições e livros milenares, como o Rig Veda e os Upanishads dos hindus, o Gênesis, o Tao Te King e outros. Essas histórias revelam um conhecimento científico profundo, transmitido em palavras simples e em narrativas históricas como lendas e mitologias.
Mas, como é que essas pessoas podiam saber de tudo isso, há milhares de anos? Quando conseguirmos responder a essa pergunta teremos dado um grande avanço no conhecimento do universo, da vida e de nós mesmos.Arquivo FolhaBig Bang: antes não existia nada, nem espaço, nem tempoEduardo Castor Borgonovi
Agência Estado





