No princípio, um carrinho
O Clube de Robótica do Instituto de Educação Infanto Juvenil (IEIJ) foi formado há cerca de dois meses e reúne uma equipe de 12 jovens entre 10 e 14 anos, da 4ª a 7ª séries do 1º grau. Entre os integrantes do clube, a única coisa em comum é o interesse pela tecnologia. Coordenado pelo professor Eduardo Fregoneze, os membros do clube se reúnem todas as quartas-feiras, das 15h30 às 17h30, e, neste período, já desenvolveram o primeiro protótipo, o Merps 1, um carrinho de controle remoto - ainda com fio, totalmente construído pelos participantes.
A idéia do clube surgiu a partir da implantação do estudo da robótica na escola, como opção de atividade extracurricular para os alunos que quisessem se aprofundar um pouco mais no assunto. Quando abrimos as inscrições, sem limite de idade, choveu interessados. Mas tínhamos apenas 16 vagas, que foram preenchidas por ordem de chegada. Nosso processo de seleção foi simples: quem faltava duas vezes, estava fora. Só ficaram mesmo os mais interessados, conta Fregoneze.
Para os alunos, as primeiras experiências no Clube foram uma surpresa. Nenhum deles, confessam, sabia direito o que era robótica nem o que iria fazer. Eu achava que iria desmontar coisas para ver como funcionavam, diz Pedro Henrique Shioga, 12 anos. Já o colega Carlos Guilherme Fortes, 13, achava que o clube teria a ver com robôs, mas não tinha a menor idéia do que iria fazer ali. Mas o clube tem a ver com eletrônica, arquitetura, mecânica, física e matemática, muita matemática, explica Pedro Gabriel Machado, 12.
Segundo o professor, o clube envolve diversos campos de experiências, misturando aulas teóricas com muita prática. A gente começou explorando funcionamento de máquinas, jogos com engrenagens, motores, etc. E partimos para o desenvolvimento de um projeto para apresentarmos na feira de ciências, conta.
O primeiro projeto, o Merps 1, foi escolhido pelos próprios alunos. A princípio, Merps (a sigla é apenas a reunião de letras iniciais que constam em algum dos nomes dos participantes do clube) deveria ser uma aranha articulada. Mas com o passar do tempo, eles mesmos viram as dificuldades de um projeto complexo logo no início. Eu não interfiri em nada, deixei eles descobrirem por si. Eles mesmos optaram então pelo carrinho, aponta Fregoneze.
Para montá-lo, começaram a utilizar um kit motorizado e cheio de engrenagens. Mas logo viram que o kit seria insuficiente. Aí começaram a estudar e pesquisar materiais para serem utilizados. O Merps 1 tem de tudo, de motores do kit a varetas de solda, cola plástica, durepox e outros materiais. Só faltou cuspe, brinca o professor. Não é um robô mas serviu para que eles tivessem uma introdução ao sistema elétrico, relés, resistência e polias, que vão utilizar na robótica, conta.
O protótipo foi apresentado na feira de ciências sem ao menos ter sido testado. Como é lógico, deu alguns problemas. Agora, vamos avaliar os erros e procurar corrigi-los. E são eles que vão fazer isto, explica. Segundo Fregoneze, o Merps 1 foi apenas o pontapé inicial. Até o final do ano, vamos comprar uma interface, um software e um kit para montarmos um robô, afirma.
O sucesso do clube é tão estimulante que, segundo o professor, já está sendo estudada a ampliação da proposta para o próximo ano. Tem muita gente interessada em participar. Inclusive alguns pais. E os próprios alunos já cobram uma continuidade. Vamos ver como fica, diz. Mas, com certeza, o Clube de Robótica do IEIJ já virou referência. (T.E.)





