No máximo, um pequeno risco.
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quinta-feira, 19 de dezembro de 1996
Sharon Begley, Daniel Glick e Mary Harger 
Os campos eletromagnéticos são silenciosos e invisivéis. Poucos não-cientistas sabem o que são, muito menos de onde vêm. O mais alarmante, eles são onipresentes. Eles existem em qualquer lugar onde haja energia elétrica por meio de fios de transmissão ou interiores de aparelhos eletrodomésticos ou confortáveis cobertores elétricos, então evitá-los é claramente impossível. Durante anos, várias pesquisas relacionaram campos eletromagnéticos (CEM) ao câncer. Agora, após três anos examinando mais de 500 pesquisas, uma equipe com 16 membros do National Research Council concluiu, num relatório divulgado no final de outubro, que os campos eletromagnéticos não são tão assustadores afinal de contas. O atual corpo de provas não mostra que a exposição a esses campos representem um risco à saúde humana, afirma o relatório de 314 páginas.
O medo dos CEM foi desencadeado pela mais potente combinação em saúde ambiental: crianças e câncer. Em 1979, epidemiologistas descobriram que crianças morando perto de fios de alta tensão em Denver tinham leucemia numa taxa 1,5 vez maior do que o índice esperado. Em vez de um caso em 30 mil crianças, a taxa era 1 em 20 mil.
Estudos seguintes confirmaram a ligação com fios elétricos. Mas essas pesquisas foram prejudicadas por um grande paradoxo. Porque é quase impossível monitorar continuamente os atuais CEM dentro de milhares de casas, muito menos reconstituir a exposição passada de uma criança que contraiu leucemia, todas as pesquisas utilizaram um padrão para a exposição a CEM.
Leucemia O padrão é chamado índice de classificação de fio, ele reflete a distância da casa de uma linha de força e o tamanho dos fios próximos. Quanto maior o índice de uma casa - praticamente todos os estudos descobriram - maior é o risco de um criança da casa ter leucemia. Mas quando os pesquisadores mediram, de fato, os CEM, eles descobriram que os campos não são maiores em residências onde há casos de leucemia do que em casas onde não há. Em outras palavras, não há relação entre a potência do campo e a incidência de leucemia.
Então como pode haver uma ligação entre os fios do lado de fora de uma janela e leucemia? Encontrar a resposta, afirmou o NRC (o braço operacional da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos), deve ser uma prioridade urgente para futuras pesquisas.
Talvez os campos dos fios provoquem câncer apenas em conjunto com outros agentes ambientais, sugere Richard Luben, membro da equipe e bioquímico na Universidade da Califórnia, em Riverside, ausentes esses agentes, os CE não vão causar câncer. Ou talvez os índices de classificação de fios ajam por procuração não para campos magnéticos, mas para fatores de risco verdadeiros, como afirma o relatório. Altos índices são características e casas antigas, de casas em regiões muito povoadas e casas em áreas de tráfego pesado. Talvez um desses seja o verdadeiro culpado do câncer.
Com exceção dessa confusa relação com leucemia, os CEM apresentam pouco risco, descobre o NRC. Campos magnéticos no nível dos encontrados em casas não parecem prejudicar DNA, fetos, sistema reprodutivo ou cérebro. Ao escutar isso, os fabricantes de aparelhos elétricos puderam finalmente respirar. Eles já estavam gastando dezenas de milhões de dólares em pesquisas sobre os CEM. Se o veredito tivesse sido mais prejudicial, os fabricantes teriam sofrido pressão para enterrar linhas de transmissão - custo: mais de US$ 200 bilhões.
Ausência de provas Mas os CEM não acabaram com o problema totalmente. A equipe do NRC encontrou a ausência de provas, não a prova da ausência (do risco). Como H. Keith Florig, da Universidade de Carnegie Mellon, ressaltou, não há nenhuma prova conclusiva de que não haja um problema. Uma descoberta em particular exige mais estudos, até a ANC afirma. Apesar de que em quase toda experiência apenas em CEM centenas ou milhares de vezes maiores do que os de casa danifiquem as células, há uma exceção.
Níveis diários de CEM, descobriram os pesquisadores liderados por Robert Liburdy, do Lawrence Berkeley Laboratory, impedem a produção de melatonina que as células realizam. Em testes de laboratórios, esse hormônio reduz o crescimento de células no seio em seu processo de se tornar canceríginas. E animais de laboratório tratados de carcinóide apresentam um ricos maior de câncer no seio quando expostos posteriormente a um intenso campo magnético.
Os CEM são, no máximo, um pequeno risco. Aqueles que ainda estão preocupados podem diminuir o risco ainda mais. Substituir um velho cobertor elétrico, que gera grandes campos, por novos modelos, com um acolchoado. Afastando-se de aparelhos: ficando a uma distância de 12 polegadas de um abridor de lata ou secador de cabelo, melhor do que seis polegadas, diminui a potência do campo em 75%.


