NO CONTROLE - Casa do futuro já é realidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de março de 2011
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
O mercado de automação residencial - que atribui aos imóveis nuances de ficção científica - cresce tão rapidamente que os sistemas informatizados para controlar luz, áudio, vídeo, não são mais privilégios apenas das classes A e B. O setor acompanha o ótimo momento da construção civil e ainda se beneficia da queda nos custos que chegam a ser até 60% menores do que há alguns anos.
O engenheiro e diretor executivo da Associação das Empresas de Automação Residencial (Aureside), Thales Cavalcanti, cita que a procura por projetos de automação registra crescimentos anuais da ordem de 30%. De acordo com ele, já existiriam no país perto de 1 milhão de casas com potencial imediato de automação. A associação calcula que a redução dos preços de produtos e serviços - que teriam caído até 60% nos últimos anos - impulsiona o mercado e anima as empresas porque a previsão de movimentação para 2011 é de R$ 200 milhões. ''Atualmente, tecnologia é o que não falta. Existem soluções diversas de automação para atender qualquer tipo de residência de forma completa'', garante Cavalcanti.
Fábio Delgado, da Domox, empresa de automação residencial em Londrina, o incremento da demanda no setor foi puxado pelo reaquecimento da construção civil e pelo interesse crescente das pessoas por soluções automatizadas. ''Grandes players da construção civil fazem apartamentos já com infraestrutura pronta para automação'', relata Delgado.
Em Londrina, a Construtora Plaenge foi uma das primeiras a oferecer infraestrutura para instalação de centrais de automação. O gerente, Paulo Duarte, afirma que o interesse dos compradores é crescente. ''Não instalamos o sistema, porque é o cliente quem precisa moldar a automação às suas necessidades para que isso não acabe sendo um problema. Nos apartamentos decorados, colocamos algumas possibilidades do que é possível fazer'', indica, comentando que é possível, entre outras coisas, instalar persianas automatizadas, alterar a iluminação, acionar equipamentos de som e imagem.
E hoje tanto imóveis de alto padrão quanto apartamentos bem menores começam a receber sistemas de automação. A Domox, por exemplo, já fez trabalhos até em imóvel de um quarto. Resultado disso é que de 2010 para 2011, a carteira de clientes de Delgado teria crescido cerca de 30%. ''Há alguns anos, a empresa não conseguia viver só de automação. Hoje, é possível nos mantermos apenas com estes serviços.''
Na By Tec, o crescimento de mais de 10% ao ano tem sido constante desde a abertura da empresa, cinco anos atrás. ''Nossa equipe está 100% tomada. Se alguém liga aqui pedindo para instalar sistema de automação, tem que fazer o agendamento'', comemora Celso Bruschi, o proprietário. O empresário aponta que até pouco tempo atrás, a automação de casas ''era algo inatingível, inalcançável''. ''Hoje a automação não é mais item de classe A, está chegando a outras classes'', garante.
Delgado complementa que as empresas fornecedoras de equipamentos enxergam as oportunidades para além das classes A e B e já desenvolvem produtos específicos para estes outros públicos. ''São equipamentos mais simples e funcionais com menor preço'', comenta. Segundo ele, se antes os sistemas de automação partiam de valores acima de R$ 100 mil, atualmente é possível encontrar equipamentos a partir de R$ 8 mil ou até por bem menos que isso. ''Já existem sistemas de cenarização (criação de cenários diferentes de iluminação em um ambiente) a partir de R$2.800.''


