Negócio eletrônico é a vedete da rede
Negócio eletrônico é a vedete da rede
A Internet se demonstra um filão ainda pouco explorado, barato e rápido para negociar
Ranulfo Pedreiro
ReproduçãoTela do AlphaWoks: quebrando regras e a sisudez da empresa que investe no comércio eletrônico
Enquanto nos Estados Unidos é possível comprar vários produtos pela Internet, no Brasil as relações comerciais on-line ainda estão engatinhando. Este raciocínio, que se tornou jargão ao se tratar de comunicação via modem, está ultrapassado. É o que demonstrou o Fórum sobre e-business realizado pela IBM no Hotel Sheraton Mofarrej, em São Paulo, no dia 28.
O evento atraiu a atenção de empresários e clientes em potencial e demonstrou que o negócio eletrônico está avançando rapidamente no País. Os organizadores tiveram até alguns problemas estruturais, devido ao grande fluxo de interessados no assunto - foi difícil acomodar tanta gente nas salas de demonstrações do Fórum.
O e-business Forum 98 é um centro de discussões itinerante, que começou em 8 de abril em Marselha e terminará dia 16 de julho na Nova Zelândia, após rodar por 43 cidades em todo o mundo. O enfoque não disfarça os fins do evento, que pretende discutir fórmulas e soluções para ganhar dinheiro pela Internet.
ReproduçãoTela da IBM, que está de olho no potencial da América LatinaTanta movimentação em torno do tema é compreensível. A Internet se demonstra um filão ainda pouco explorado, barato e rápido para negociar. A Natura, por exemplo, inaugurou uma loja na rede há pouco mais de um mês. Hoje possui mais de dois mil clientes cadastrados, sem qualquer trabalho de divulgação. O negócio on-line ainda representa pouco dentro do faturamento da empresa, mas a rapidez com que está crescendo justifica o investimento.
Temos mil clientes aqui falando sobre negócios eletrônicos. Esta é a oportunidade de compartilhar com eles o que estamos fazendo nessa área, comentou Elio Catania, gerente geral da IBM na América Latina, durante entrevista coletiva. Ele ressaltou: No ano passado se falava em negócio eletrônico. Agora se faz. Estamos começando a ver companhias dividindo, ganhando dinheiro, e são companhias que fizeram da tecnologia sua principal estratégia.
Para Catania, o sonho de todo empresário é integrar os provedores, os clientes e os empregados com toda a empresa. A Internet seria o caminho para essa integração. Essa tecnologia está mudando completamente o jeito como aprendemos. Você pode trazer o conhecimento para as pessoas pela rede. Essa tecnologia está mudando o modo como utilizamos o nosso tempo livre. As empresas que não participarem desse processo estão fadadas a sumir do mercado em breve, antes do que pensamos, alertou.
A América Latina estaria bem posicionada no crescimento do negócio eletrônico. Dizem que não estamos prontos para fazer negócios on-line. Neste momento temos 900 mil pessoas conectadas à Internet. Daqui a três anos serão nove milhões. Os exemplos mais avançados de e-business vem do México, do Brasil e da Argentina, acrescentou Catania.
O negócio eletrônico se tornou a grande vedete da IBM. A empresa está sofrendo uma reforma estrutural direcionada para o assunto. Estamos apostando no futuro do e-business. Toda a empresa está operando com essa idéia. Estamos investindo na aptidão de nosso pessoal, e todo o hardware e software têm que estar de acordo com essa tecnologia.
David Gee, gerente geral de marketing para Java e Alpha Works da IBM disse estar impressionado com o fórum: Estou no Brasil há 36 horas e já tem mil pessoas aqui para ouvir falar sobre e-business. O assunto não poderia interessar mais a IBM: Nós temos cerca de 100 mil clientes com os quais estamos implantando soluções de e-business. A IBM está sofrendo uma grande transformação, com dezenas de milhares de computadores em rede que estão sendo implementados.
Os números anunciados são astronômicos. A IBM já investiu US$ 100 milhões na divulgação do negócio eletrônico. Segundo os analistas, já foram investidos em todo o mundo cerca de US$ 3 bilhões em e-business. A previsão, para três anos, é que essa cifra chegue a US$ 300 bilhões.
A IBM é reintegração. Mais do que várias empresas, temos uma variedade de tecnologias. Podemos oferecer desde aplicativos a mainframes e operadores de gerenciamento. É muito difícil integrar todas as tecnologias, por isso os clientes estão comprando soluções, explicou Gee.
O gerente da IBM é um exemplo das mudanças que estão ocorrendo na empresa. David Gee é também o diretor de programas do Alpha Works, uma espécie de laboratório on-line para pesquisar novas formas de negociação via Internet. O Alpha Works caminha em sentido contrário à sisudez da IBM, com a clara proposta de quebrar regras e trazer novas idéias. O trabalho já está dando resultado, e 28 novas tecnologias estão sendo desenvolvidas e testadas por usuários cadastrados. O endereço do Alpha Works é http://www.alphaworks.ibm.com.
Durante o fórum, a IBM inaugurou o IBM Direto, um site para comercialização de produtos e serviços da empresa. O endereço é http://www.ibm.com.br/ibmdireto.
O jornalista viajou a São Paulo a convite da IBM.





