No próximo mês, uma das mais importantes expedições científicas naturalistas já feitas no Brasil vai ganhar uma nova versão. Um grupo de cientistas vai se embrenhar mais uma vez pelas matas do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso para refazer a Expedição Langsdorff, a lendária viagem pelo interior do Brasil que, na primeira metade do século 19, capitaneada pelo barão, diplomata e médico prussiano George Heinrich von Langsdorff (1774-1852), fez o maior levantamento até então da fauna e flora nacionais.
A viagem de Langsdorff começou em março de 1822, quando o barão partiu para a Mata Atlântica fluminense, acompanhado pelo geógrafo e cartógrafo Nester Rubtsov, pelo zoólogo Eduard MénétriSs e pelos artistas plásticos Johann Moritz Rugendas, Antoine Taunay e Hercules Florence. A viagem era patrocinada pelo czar Alexandre I, que gastou 246,2 mil rublos na empreitada. Lutando contra o mau humor do clima, os mosquitos e as inúmeras doenças da selva, o grupo seguiu do Rio para São Paulo, Minas, Mato Grosso, Paraná e Amazônia, percorrendo 17 mil quilômetros.
A nova expedição, chamada ‘‘Langsdorff de volta: redescobrindo o Brasil’’, tem como líder e coordenador o presidente da Fundação Langsdorff, Danuzzio Silva. Ele explica que o caminho privilegia o mesmo percorrido pelo barão, mas o itinerário não será obrigatoriamente o mesmo. ‘‘Iremos a regiões que Langsdorff não conheceu e mesmo localidades que não existiam’’, afirma Danuzio. Mesmo sem uma rota definida, a expectativa é percorrer em uma primeira etapa cerca de 2 mil quilômetors, só em Minas Gerais, e passar por 56 municípios.
Reprodução/Ciência HojeEm território mineiro a nova expedição deve permanecer de seis meses a um ano. O suficiente para que historiadores, botânicos, zoólogos, médicos, fotógrafos e geógrafos envolvidos revejam o que Langsdorff viu e documentem as mudanças: as espécies animais e vegetais que sumiram ou nasceram, o destino das cidades. ‘‘Faremos um estudo comparativo da fauna, flora, hábitos, cultura e condições ambientais das regiões desbravadas por Langsdorff’, explica Danuzio.
Para Danuzio, o principal ganho científico da viagem é apurar as informações colhidas pelo barão prussiano. ‘‘Muitas delas ainda são inéditas, como os dicionários de línguas indígenas feitos em Minas, por exemplo. Poderemos conhecer melhor as tribos que habitavam essas regiões. E ainda há as plantas medicinais, os hábitos alimentares, as plantas regionais. Temos uma realidade diferente, e o melhor é termos um panorama dessa nova realidade’’, diz.Reprodução/Ciência HojeTela de Johann Moritz Rugendas, que acompanhou o barão Langsdorff em sua expedição pelo interior do Brasil no século 19Dagoberto Souto Maior
Ciência Hoje

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