Não corra riscos com o mouse
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de fevereiro de 1999
Jay Dougherty, Deutsche Presse Agentur 
Apontar, marcar, clicar, apontar, clicar, clicar, clicar. Repetitivo? Para os milhões de usuários que usam o mouse do computador, é exatamente isso o que significa a rotina familiar de apontar e clicar. Rotina que pode levar ao que a medicina chama de lesão por estresse repetitivo, uma doença cada vez mais comum.
Estou convencido de que o mouse está causando mais lesões que o teclado, diz Leo Rozmaryn, especialista em cirurgia de mãos e em lesões por estresse repetitivo, de Washington.
O problema, ressaltam os médicos, está no fato de que o mouse cansa mais a mão por causa do uso repetitivo de apenas um ou dois dedos. Além disso, os leves movimentos do pulso com o uso do mouse resultam em rompimentos microscópicos de sensíveis ligamentos do pulso e em tendinite - uma dolorosa irritação dos tendões entre o cotovelo e o pulso.
As lesões mais graves que já vi foram causadas pelo uso do mouse, diz Emil Pascarelli, cirurgião do Centro Médico Presbiteriano de Nova York, e autor de um livro sobre Lesão por Estresse Repetitivo.
Isto afeta sobretudo os usuários de computador que trabalham especialmente com sistemas operacionais gráficos, como o Windows da Microsoft ou Macintosh OS da Apple. Os dois sistemas e as aplicações por eles usadas induzem o usuário a empregar mais o mouse que o teclado para dar ordens ao computador.
Não só o mouse mas também a trackball, a bolinha frequentemente usada como seu substituto ergonômico, podem causar tais transtornos, afirmam Pascarelli e outros autores.
As trackballs, como o mouse, podem forçar o pulso e os dedos a realizar movimentos pouco usuais e repetitivos, enquanto os demais músculos normalmente utilizados com a mão e os dedos permanecem parados.
Não encontramos ainda nenhum mouse ou trackball que possamos considerar de uso seguro para longos períodos de trabalho, diz Pascarelli.
O pior é que não podemos examinar o produto antes de comprá-lo porque a maioria das lojas mantém os mouses dentro de caixas fechadas e se recusam a abri-las para que os testemos, diz ele.
Todos os que usam o mouse, advertem os especialistas, correm o risco de desenvolver alguma forma de lesão por estresse repetitivo. Seus primeiros sintomas incluem cansaço ou insensibilidade nas mãos, pressão ou estalos nas articulações dos dedos ou do pulso e sensação de formigamento nos dedos.
Para prevenir esses distúrbios, os especialistas sugerem diferentes soluções.
Em geral, a melhor solução é o uso de diferentes formas de dar ordens ao computador: se você geralmente usa um mouse no escritório, trate de mudar para uma trackball em casa, diz Rozmaryn. Outros recomendam simplesmente evitar o uso do mouse, ou alterná-lo com o teclado.
Muitos se esquecem de que o teclado era a forma clássica de dar ordens antes de aparecer o mouse, e que, mesmo com os aplicativos para Windows, é possível fazer quase tudo com o teclado, afirma Jeff Delpapa, especialista em informática de Boston, que, há alguns anos, sofreu ele próprio de lesão por estresse repetitivo.
É importante também seguir as instruções ergonômicas do uso do mouse e de outros equipamentos para dar ordens ao computador. O mouse ou a trackball, por exemplo, devem estar sempre diante do teclado, de modo que não seja necessário esticar o braço para trabalhar com eles.
Além disso, cuide para que a colocação do mouse ou trackball não o obrigue a torcer o pulso em nenhuma direção.
Rozmaryn e outros aconselham também os usuários de computador a empregar outras formas de dar ordens à máquina, como os programas de reconhecimento de voz. Em todo caso, os especialistas são unânimes em afirmar que o melhor é fazer constantes pausas para descanso e usar diversas interfaces. O uso excessivo das últimas tecnologias - inclusive a do reconhecimento de voz - pode causar problemas.
Muitas pessoas que usam regularmente programas de reconhecimento de voz, por exemplo, se queixam de problemas com as cordas vocais. Fale com o computador como se estivesse falando com uma pessoa - com animação e projetando a voz - em vez de fazê-lo com tom monótono porque o programa funciona melhor quando se fala naturalmente, afirma John Haskell, especialista em problemas vocais, de Nova York.
Por último, ressalta Rozmaryn, o mais importante para o usuário de computador é fazer dele um amigo. Na medida do possível, faça com que a máquina trabalhe no seu ritmo e não ao contrário, diz ele.


