Claudio DuarteÉ verdade que a tecnologia tira o emprego de muita gente. Mas é fato também que há uma certa paranóia no ar. Veja o caso da música. Por mais que sintetizadores consigam imitar com perfeição (ou quase) o som de diferentes instrumentos, nada vai substituir a emoção de um concerto de câmara ou de um show de rock. Quem aguentaria um concerto regido e executado por Ataris, Performas, Pentiums II e cia?
Essa é a opinião de boa parte dos compositores que, há anos, trabalham com tecnologia musical. Para eles, o computador é apenas mais um recurso para encurtar o tempo de produção da obra e facilitar o processo. O compositor pode testar os arranjos que cria, na hora, sem precisar de uma equipe de músicos à disposição. E, depois, economizar tempo de estúdio, já que haverá muito pouco a corrigir, no ‘‘vamos ver’’ da gravação.
Outra vantagem da tecnologia é reduzir erros na hora de escrever a notação. O saxofonista e compositor Edgar Duvivier, por exemplo, diz que, pelos métodos tradicionais, poucas vezes copiou uma partitura sem errar. Com o uso de editores de partitura, no entanto, o resultado é automático e sempre correto. Além disso, mudar uma nota é muito mais fácil. Para ele, essa é uma das poucas coisas que a máquina faz melhor que o homem.
Para quem ainda está preocupado com uma eventual diminuição do mercado de
trabalho, vale lembrar que há um novo ramo para músicos, que não pára de
crescer: o dos especialistas em tecnologia musical.
- Sempre haverá lugar para bons profissionais - diz Duvivier, que só usa
sintetizadores para demos, preferindo músicos para obter um som mais humano
no estúdio.

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