Agência O Globo,
Do Rio
A versatilidade da informação digitalizada vem fazendo com que as fronteiras entre arte e tecnologia sejam cada vez mais difíceis de definir. Talvez o melhor a fazer seja desistir de procurar os limites e aproveitar o que a fusão das duas oferece: cultura e diversão.
O Museu Virtual da Arte Brasileira é uma experiência interessante nesse sentido. Primeiro projeto virtual a conquistar apoio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), em 1996, e desde então patrocinado pela Petrobras, o site www.museuvirtual.com.br divulga o que pode ser feito aplicando-se tecnologia à arte (ou será arte à tecnologia?).
‘‘Temos muito orgulho de termos aberto caminho para o benefício a outros projetos culturais na Internet’’, afirma Matteo Moriconi, diretor executivo do Museu Virtual.
O site levanta discussões filosóficas, veicula vídeos sobre o panorama artístico nacional e mostra como a Internet facilita o acesso à arte.
A idéia inicial de Matteo era homenagear o seu pai, o escultor Roberto Moriconi. Mas o projeto cresceu e hoje o site tem galerias de artistas consagrados, como Rubens Gerchman, Roberto Magalhães, Marília Kranz e Angelo de Aquino. Já os artistas jovens têm uma seção própria para apresentar seus trabalhos, a Galeria 21.
O Museu Virtual traz ainda dois jogos em shockwave flash. ‘‘A terceira face da carta’’ é um jogo da memória do fotógrafo Arthur Omar. São 24 closes de faces exóticas que ficam ocultas num quadro até que o jogador clique nelas. Cada face tem uma interpretação poética, como ‘‘O fatalista’’ ou ‘‘Santa porque avalanche’’.
Por incrível que pareça, ler os ‘‘nomes’’ das faces ajuda a memorizar a sua localização no quadro. No nível um, o jogador deve achar duas faces gêmeas; no dois, três; e no três, também três, mas, se errar, as fotos trocam de lugar. Haja memória! Quando o jogador erra demais, ocorre um escatos, algo como o tilt das máquinas de pinball.
Ao fim do jogo, surge uma frase-cabeça, tipo ‘‘Fotografia é a arte de re-existir’’. Como todo bom jogo, ‘‘A terceira face da carta’’ vicia.
O outro jogo é o quebra-cabeça ‘‘Bandido da Luz Vermelha’’, um quadro de Claudio Tozzi recortado em 265 peças. É dificílimo de montar e exige uma paciência de Jó. Quem não tiver tanta disposição, entretanto, não deve deixar de navegar pelas páginas do artista no Museu Virtual.
Suas obras têm cores, formas e texturas belíssimas, e algumas vêm acompanhadas por poesias de Haroldo de Campos.
Agora vem a melhor parte: estes jogos estão disponíveis num CD-ROM distribuído gratuitamente. Basta pedir pelo e-mail [email protected]. Imperdível.Site, que tem o apoio da Lei Rouanet, divulga o que pode ser feito aplicando-se tecnologia à arte
ReproduçãoMAIS CULTURAArtistas jovens e consagrados ganharam galerias no Museu Virtual da Arte BrasileiraAgência O GloboARTE EM JOGOA tela ‘‘Bandido da Luz Vermelha’’, de Claudio Tozzi, virou um quebra-cabeça de 265 peças

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