Medidas para a preservação do meio ambiente devem atingir todos os setores produtivos, incluindo o de Tecnologia da Informação (TI). Não acha? Pense, por exemplo, nos impactos ambientais provocados por equipamentos eletrônicos. Eles existem em todas as etapas da vida útil do equipamento, desde o desenvolvimento, compra, uso e descarte.
A partir dos anos 1990, surge nas grandes empresas a preocupação sobre o uso ambientalmente mais sustentável da tecnologia da informação, que passou a ser chamada de TI Verde (Green IT). Sob este novo conceito, as companhias começaram a implantar medidas, dentro da rotina corporativa, que aumentassem a eficiência e a vida útil dos equipamentos de TI a fim de diminuir os danos ao meio ambiente.
Um dos benefícios mais atraentes do TI Verde, aliado à ecoeficiência, é a economia de recursos financeiros, assinala Marcelo Otto, analista de Gerenciamento de Capacidade de instituição bancária, colaborador do TechCenter de Green IT para a Microsoft e palestrante do Computer Measurement Group Brasil (CMG Brasil). Ele veio a Londrina este mês para palestra sobre o assunto no VIII Seminário de Computação (Secomp), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Na prática
Uma muda de árvore plantada dentro de um gabinete de computador foi um lembrete aos colaboradores da Unimed Londrina sobre o projeto de TI Verde da empresa. Junto à mensagem, vieram orientações aos colaboradores para o uso consciente dos recursos tecnológicos.
As ações do projeto, que vêm sendo aplicadas desde 2008, foram focadas em cinco áreas: virtualização dos servidores; troca dos monitores CRT pelos de LCD, mais econômicos; reposicionamento do ar condicionado na sala de servidores; instalação de aparelhos ''thin client'' no lugar do CPU; e impressão consciente.
O projeto tenta ainda absorver ''tecnologias limpas'' que o mercado oferece e levá-las para dentro da empresa. ''Hoje não existe equipamento que não preze pela questão de consumo de energia adequado'', garante Fabiane Piojetti, responsável pela área de Responsabilidade Social da Unimed Londrina.
Um exemplo é o ''thin client'', um aparelho econômico que faz a conexão dos computadores com os serviços disponibilizados nos servidores virtualizados e consome pouca energia, uma vez que o processamento ocorre no servidor. ''Na ponta, consome 80% menos de energia que o CPU'', atesta José Carlos da Silva, administrador de redes. Conforme Silva, a medida possibilitou virtualizar em um único aparelho, que consome cerca de 1.200 Kw/h, 20 servidores que gastavam 400 Kw/h cada.
O reposicionamento do ar condicionado da sala de servidores permitiu diminuir três graus na temperatura do ar condicionado. Recentemente, também foram trocados os últimos monitores CRT da empresa. Os novos monitores, de LCD, consomem 80% menos energia.
Com os colaboradores, foram realizadas campanhas de conscientização para atitudes como imprimir somente o necessário e frente e verso - após um ano, foram poupadas 100 mil cópias -, desligar o monitor quando sair da sala e evitar mandar e-mails com anexo grande. Arquivos pesados anexados ao e-mail fazem tanto o computador do remetente quanto o do destinatário trabalharem mais e gastarem mais energia. Os colaboradores foram orientados até a usar o Google Black, buscador com fundo preto que consome menos energia.
Os recursos de TI da empresa são remanejados entre os setores até não serem mais úteis na empresa. Quando eles precisam ser descartados, caso ainda sejam servíveis, a medida é oferecê-las aos colaboradores interessados em leilão, que pagam com leite em pó que, depois, é doado a entidades assistenciais. Se não há mais serventia, o equipamento é levado a uma Oscip em Londrina que dá a destinação correta.
No consumo de energia geral da cooperativa, houve uma redução de 20% no primeiro ano e de 10% nos anos seguintes. Quanto aos custos relacionados à manuteção de equipamentos de informática, os custos foram reduzidos em 60%. O próximo passo, de acordo com Fabiane, é estimular metas de 10% na redução de energia e impressões entre os colaboradores.

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