Multimídia, um mercado sem lado B
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Agência Globo 
Agência GloboInteratividadeEstão se consolidando no mercado empresas que mostram competência. A maior produção é de jogos traduzidos, obras de referência e CDs educativosMultimídia continua sendo a palavra do momento; formar uma boa CD-ROMteca (ô palavrinha feia!) é o sonho de consumo de muita gente, embora o CD-ROM já seja um recurso trivial. A tecnologia é, em princípio, agradável e fácil de usar, acessível até mesmo a crianças maiorzinhas - sem a ajuda dos pais. Praticamente todos os micros à venda no mercado vêm com kit multimídia de no mínimo 8X.
Não é de estranhar, portanto, que o mercado de CD-ROM tenha crescido de forma intensa e desordenada no Brasil. Até 93, quase ninguém produzia os discos - a primeira empresa a fazê-lo, em 92, foi a Microservice, hoje líder do setor. No ano seguinte, o mercado começou a ser explorado e, em 1995, várias pequenas empresas já buscavam o seu espaço. No ano passado, a coisa atingiu tais proporções que as lojas acabaram inundadas por títulos de péssima qualidade, feitos por firmas aventureiras que não tardaram a falir.
Esses CDs-trash são encontrados em bancas de jornais, reunidos em grupos de dez vendidos a R$ 10, ou seja, cada um custando R$ 1 - mas não valem nem isso. A interatividade é quase nula, os programas não rodam direito, o som é horrível e a resolução das imagens, péssima. O pior é que eles podem até causar danos ao micro.
Mas vamos falar de coisas boas. O fato é que estão se consolidando no mercado apenas as empresas que têm mostrado competência - e 1997 é o ano delas. A ênfase está na produção dos títulos que são sucesso em vendagem: jogos traduzidos, obras de referência (almanaques, enciclopédias, dicionários) e CDs educativos com personagens de grife (como Wally, Turma da Mônica, Disney, etc.).
A produção anual do mercado brasileiro de CD-ROM está estimada em 11 milhões de unidades, sendo 60% em títulos importados. A tendência de crescimento do mercado nacional é de 100% ao ano. Na América Latina 40% dos micros já tinham kit multimídia em 1996; estima-se que, em 1997, este número cresça 10%, e que, no ano 2000, 90% dos micros tenham o kit.
Os produtores brasileiros começam a se firmar e o setor promete ter um crescimento equilibrado e constante, impulsionado pelo desenvolvimento de novos recursos, como o CD Plus (CD áudio com uma faixa multimídia) e o DVD (Digital Video Disc), um CD-ROM com quatro vezes mais capacidade de armazenamento de informação. Enquanto um CD-ROM comum tem 640Mb, um DVD tem 1,7Gb (veja abaixo lado matéria sobre os lançamentos da CD Expo).


