Mulher tem mais depressão? Especialista diz que não
Mulher tem mais depressão?
Especialista diz que não
A depressão é uma doença hereditária. Quem tem ou teve alguém na família que sofreu ou sofre de depressão tem pré-disposição maior para desenvolver a doença. Ela pode atingir qualquer pessoa independente da idade, sexo ou nível financeiro. Segundo Márcio Versiani - diretor do Programa de Pesquisa em Ansiedade e Depressão do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro - os estudos que mostram que a mulher pode ter mais propensão para desenvolver a doença não correspondem à realidade. A mulher tem uma capacidade maior de reconhecer quando não está bem e uma liberdade social maior para exprimir seus sentimentos. Para mim, este é o motivo de, nas estatísticas, aparecerem mais casos de depressão entre as mulheres, argumenta.
A teoria mais forte entre médicos e cientistas é que o fator desencadeador da depressão é emocional. Uma emoção forte como a morte de uma pessoa querida ou uma separação seria capaz de provocar o desequilíbrio biológico. Mas a verdade é que os cientistas não sabem de fato o que nasceu antes: o impacto emocional ou a fragilidade biológica.
Entre médicos e cientistas também não há consenso sobre a cura da depressão. As estatísticas disponíveis sobre a doença apontam que apenas 25% das pessoas que sofrem uma crise ficam curadas após tratamento adequado. Do total, 85% vão ter novas recaídas e desenvolver a doença de forma crônica. Destes 75% vão sofrer recaída após seis meses da primeira crise.
A causa de um índice tão grande de recaída, porém, ainda não está clara. Para Versiani, o subdiagnóstico, subtratamento e a submedicação são os principais responsáveis pelo baixo índice de cura. Ele diz que os médicos ainda não despertaram para o problema e não estão diagnosticando os casos de depressão. O médico geral é o primeiro a ser procurado e precisa estar atento aos sintomas porque a pessoa procura atendimento se queixando de dores e desarranjos físicos, diz.
Estudos demonstram ainda que 70% das prescrições de antidepressivos contêm doses abaixo das recomendadas e que a medicação é mantida por menos de dois meses. O medo de ficar dependente do medicamento, o alto custo do tratamento (cerca de 200 dólares por mês) e a recuperação do bem-estar, diz Versiani, levam o paciente a subestimar a doença e a suspender a medicação antes de concluir o tratamento.
Versiani enfatiza que, ao contrário dos antiansiolíticos, os antidepressivos não causam dependência química. Os antidepressivos só têm efeito em pessoas que sofrem de depressão. Se uma pessoa saudável usar um antidepressivo não vai sentir nenhum efeito, diz.
A estimativa é de que apenas 50% dos casos são diagnosticados. Dos casos diagnosticados, apenas 30% são encaminhados para algum tipo de atendimento. Destes, só 10% recebem orientação para um tratamento adequado: 7,5 % realizam o tratamento completo e 5% respondem ao tratamento. Dos 70% diagnosticados que não recebem encaminhamento, 95% passam por pelo menos uma tentativa de suicídio, normalmente com sucesso.(C.B.)





