Mulher ocupa o espaço cibernético
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 1998
Jay Dougherty DPA 
Arquivo FolhaMulheres são um atraente filão do mercado, e utilizam a rede para fins variadosMilhões de mulheres estão explorando o espaço cibernético, provocando a curiosidade dos pesquisadores e o interesse das empresas provedoras de Internet, que vêem nelas um atraente nicho de mercado. Segundo pesquisas, a mulher deixou de considerar a Internet como coisa de homem e navega agora pelo espaço cibernético. E não apenas com objetivos tipicamente femininos mas também para se informar sobre seus problemas, fazer planos de viagem, comprar e de vez em quando, por que não, ter um pouco de vida social.
As mulheres representam atualmente 45% dos mais de 50 milhões de usuários da Internet nos Estados Unidos, de acordo com estudos feitos recentemente por duas empresas norte-americanas de pesquisa de opinião pública - a Jupiter Communications e a NFO Interactive.
Na America Online, o maior servidor mundial de comunicação on line, as mulheres já superaram os homens por uma margem de 52% a 48%, segundo dados da companhia. Está desaparecendo rapidamente a preocupação sobre a participação dos sexos na Internet, diz Charlie Hamlin, da NFO Interactive. Boa notícia para os fabricantes de computadores e para os serviços de comunicação on line, que há anos vêm tentando atrair as mulheres a um meio tradicionalmente dominado pelos homens.
As opiniões sobre as causas desse novo equilíbrio variam. Há agora mais serviços dedicados a temas de interesse para a mulher, diz Jane Torbica, da Compuserve. Existem atualmente foros que tratam da saúde da mulher, temas femininos e diversos tipos de informação que podem interessar a ela. Mas a pesquisadora Judith Broadhurst acredita que são outros os fatores que têm levado a mulher a também se conectar on line. A mulher não quer nada diferente do que o homem quer, diz Broadhurst, cujo livro Guia para a Mulher nos Serviços On Line foi publicado recentemente nos Estados Unidos.
Ela ressalta uma série de fatores que também tem atraído as mulheres ao espaço cibernético. Entre eles, estão o fim do mito de que a Internet é um lugar só para entendidos, os constantes progressos dos computadores e a facilidade de manejo dos programas da rede, além do aumento do uso da Internet nos locais de trabalho. O estudo de Broadhurst, curiosamente sugere que, ao contrário da crença comum, a Internet não atrai as mulheres principalmente como meio de comunicação.
Há estudos mostrando que a comunicação interessa mais às mulheres que aos homens, de modo que a Internet deveria ser o nosso meio, diz a pesquisadora. Mas as mulheres, ao contrário dos homens, continuam a considerar o computador mais como uma ferramenta do que uma máquina de jogos.
Isto, entretanto, não tem sido obstáculo para o surgimento na rede mundial da Internet (World Wide Web, WWW) de páginas dedicadas à mulher, com temas femininos, zonas de conversação interativa (chat) e pontos de encontros com outros internautas. Multicoloridas e visualmente atrativas, estas páginas da Web chamam a atenção de milhões de usuários e produzem enormes investimentos em publicidade.
Entre essas páginas, uma das mais populares é iVillage(www.ivillage.com), que se anuncia como a rede para a mulher. Na maioria das páginas da rede dedicadas à mulher, há tópicos como carreira, esportes, alimentação, saúde, dinheiro, família, relacionamentos amorosos, compras e trabalho em casa.
Na iVillage são frequentes as discussões do tipo você namoraria alguém que conheceu na rede?. A maioria das respostas mostra que as mulheres são cautelosas mas entusiastas a respeito das possibilidades da Internet como meio de comunicação. Segundo uma internauta anônima, onde existirem locais de reunião, existirá também o amor.
Em suma, independentemente do motivo pelo qual as mulheres estão visitando mais frequentemente a rede WWW da Internet, os analistas concordam em que a população do espaço cibernético é determinada não tanto pelo sexo mas pelo nível econômico do usuário.


