As alterações nos ecossistemas provocadas pelas mudanças climáticas na América Latina ameaçam a atividade agrícola e o meio de subsistência de sua população rural, segundo relatório divulgado em Kyoto (Japão) na reunião de cúpula da ONU sobre o clima que teve início na última segunda-feira.
A região latino-americana está integrada por um vasto espectro geográfico e ecológico, da zona subtropical do Hemisfério Norte até o extremo polar do subcontinente sul-americano.
De acordo com o informe apresentado pelo Grupo Intergovernamental de Avaliação das Mudanças Climáticas da ONU (GIEC), o aumento da temperatura poderá acelerar a deterioração do meio ambiente e o desmatamento da região amazônica.
As mudanças climáticas poderão modificar as condições atuais, com diversas consequências, como ocorre atualmente com o fenômeno do El Ni¤o, que provoca oscilações maciças nos ecossistemas marinhos perto das costas do Equador, Peru e norte do Chile.
Os ecossistemas naturais da América Latina apresentam os recursos genéticos mais ricos do mundo. A selva tropical amazônica, que contém o maior número de espécies animais e vegetais da região, está ameaçada pelo desmatamento, que terá um impacto negativo na reciclagem das chuvas.
As selvas latino-americanas - que ocupam aproximadamente 22% da região e representam cerca de 27% das florestas do mundo - têm grande influência no clima tropical e regional. Os estudos de vulnerabilidade indicam que os ecossistemas selváticos do México, Venezuela, Brasil, Bolívia e as nações da América Central seriam afetados pelas mudanças climáticas previstas.
Atualmente, a contribuição latino-americana para as emissões de gases de efeito estufa é baixa (aproximadamente 4%). No entanto, o potencial de impacto futuro das mudanças climáticas no uso da terra poderá ser oneroso para esta região.
PerfilAproximadamente 35% da água continental do mundo se encontra na América Latina. Os sistemas de água fresca (rios, lagos, reservas) e seus ecossistemas são potencialmente muito sensíveis às mudanças climáticas e vulneráveis às oscilações climáticas breves.
Os estudos da vulnerabilidade da alta do nível do mar mostram que os países do istmo centro-americano, assim como a Venezuela e o Uruguai, poderão sofrer um impacto negativo nos terrenos costeiros e na biodiversidade, pela entrada de água salgada e pelos danos às infra-estruturas. As consequências seriam variadas e complexas, com grandes implicações econômicas.
A América Latina tem aproximadamente 23% da terra mundial potencialmente cultivável e mantém uma alta porcentagem de ecossistemas naturais, em contraste com outras regiões. Aproximadamente 306 milhões de hectares (72,7%) das terras agrícolas na América do Sul sofrem uma deterioração moderada ou extrema, e cerca de 47% das pastagens deixaram de ser férteis.
O informe do GIEC foi elaborado por 4 mil cientistas e economistas do mundo inteiro, que trabalharam na Convenção da ONU sobre as Mudanças Climáticas. Ele está sendo apresentado durante a reunião de cúpula de Kyoto, que termina no próximo dia 10, durante a qual os governos tentarão elaborar uma política comum para lutar contra o efeito estufa.

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