MS e Sun discutem linguagem Java
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quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Agência Globo 
Agência GloboVocê está perdido na confusão criada pela Microsoft e Sun em relação ao futuro do javanês? Não é para menos. A última semana foi de puro estardalhaço em torno de assuntos aparentemente conexos, mas que na prática não têm vinculação: a padronização e a interoperabilidade da plataforma Java.
Ciente de que a Sun estaria submetendo à ISO (International Organization for Standardization) a proposta de padronização da tecnologia Java, a Microsoft (apoiada por Intel, Digital e Compaq), aproveitou a oportunidade para defender a idéia da transferência da propriedade da tecnologia (e, consequente desenvolvimento e controle das especificações técnicas) para uma associação internacional sem fins lucrativos. Mas a Sun disse Não ! à idéia da Microsoft.
Nós não precisamos abrir mão da propriedade para padronizar Java, cansou de repetir o presidente da JavaSoft, Alan Baratz.
Não cabe à Sun propor a padronização , diz Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor de marketing da Microsoft do Brasil. Dificilmente a ISO reconhecerá o Java como padrão se suas especificações forem controladas por um único fornecedor.
É importante que o criador da tecnologia esteja por trás, para evitar a estagnação, rebate Luiz Fernando Maluf, diretor de Marketing da Sun do Brasil. A partir de então, a Sun passou a ser acusada pelas quatro grandes do mundo Wintel de estar buscando a chancela ISO só para obter, como benefícios mercadológicos, os direitos de licenciamento da tecnologia Java. Cento e setenta e cinco empresas de todo o mundo já o fizeram (Microsoft, inclusive). Abrindo mão da propriedade, a Sun perderia os direitos de licenciamento. O que significa que as desenvolvedoras de software estariam livres para usar a marca Java e criar suas próprias implementações da tecnologia, sem dar qualquer satisfação à Sun.
Nessa queda de braço político/mercadológica, é difícil julgar se a Sun está certa ou errada em manter o controle da Java. Afinal de contas, monopólio por monopólio, a Microsoft tem o do Windows. Mas do ponto de vista tecnológico, como é que fica? Alguém é contra a padronização? Não. Todo mundo não concorda que Java é, por excelência, a plataforma de desenvolvimento de aplicações na Web? Sim. E aí??!!
Ah, aí entra-se em outra discussão - a que realmente importa. Um dos objetivos da Java é ser uma alternativa de ambiente operacional ao Windows. Os planos do Noise (Netscape, Oracle, IBM e a própria Sun) é fazer do javanês um ambiente que independa de plataforma operacional. Write Once, Run Anywhere (escrever uma vez, e rodar em qualquer lugar, dos palmtops aos mainframes), diz o slogan.
O sucesso da Java vem daí: a independência de plataforma, as operações seguras em rede e a escalabilidade, afirma Baratz.
Arrá! Pois não é isso que a Microsoft vende como diferencial do Windows? Percebem o X da questão? A briga do 100% Pure Java, claro. Para completar o cenário da semana, a turma de Bill Gates decidiu banir todos os applets Java dos sites M$. E, depois, retirar o apoio à tecnologia, caso Scott McNealy, CEO da Sun, cumpra a ameaça de revogar o licenciamento da M$.
Como as especificações são abertas, podemos fazer com que nossos aplicativos continuem suportando Java, diz Paul Maritz, um dos vice-presidentes da Microsoft. Mas abandonaremos o desenvolvimento de aplicações e ferramentas de desenvolvimento.


