Marcos BorgesCarlos Alberto Spironelli Ramos: idéia do livro surgiu quando começou a dar aulas na UELQuem já teve dor de dente sabe e se pergunta: como pode esse órgão tão pequeno, revestido pelo material mais resistente do corpo humano - o esmalte dentário - ser carcomido por ácidos e latejar, sofrer, pulsar, irritar e doer tanto dentro de sua boca?
Pois saiba que a busca para aliviar essa dor e conhecer um pouco mais sobre os dentes acompanha o homem desde a Antiguidade. Para se ter uma idéia há registros sobre cáries e doenças dentárias desde o século 14 a.C. Hipócrates, o pai da Medicina, também se ocupou da matéria. Registros também mostram que algumas formas de tratamento endodôntico foram realizadas pelos árabes, lá pelo século I. Os árabes evitam a extração dos dentes e procuravam tratamentos terapêuticos para conservá-los e eliminar a dor, que era considerada um castigo divino. O tratamento era bastante macabro e, acredite, bem pouco científico. Os ‘‘dentistas’’ da época receitavam remédios à base de ratazanas, pequenos insetos e substâncias repugnantes.
Como as pessoas se sujeitavam a tomar remédios tão horríveis? Para o dentista londrinense Carlos Alberto Spironelli Ramos, a explicação é óbvia: para acabar com a dor. ‘‘A dor é o pior dos tormentos para alguém. Ficar com um dente pulsando, doendo, incomodando cada vez que algo muito frio ou muito quente entra em contato com ele, é a pior coisa que pode acontecer’’, diz.
Por sinal, o dentista londrinense, acadêmico da Universidade Estadual de Londrina e o mestre mais jovem do Paraná, lança no próximo dia 23, às 21 horas, no Centro de Convenções do Hotel Sumatra, o livro técnico ‘‘Endodontia’’, editada pela Editora da UEL. O livro, escrito em conjunto com o companheiro e mestre Clóvis Monteiro Bramante, reúne em seus dez capítulos e mais de 250 páginas, um mosaico completo do dente, sua morfologia, as técnicas e materiais empregados nos tratamentos além de uma geral nos aparelhos endodônticos usados.
Para o autor, a idéia da obra nasceu de uma forma simples. Quando começou a dar aulas na UEL, em 1993, resolveu reunir o material necessário para os alunos acompanharem sua disciplina. Como a maior parte dos assuntos estava distribuída por muitos livros, Carlos Alberto resolveu escrever um pequeno manual de endodontia. O trabalho foi ficando cada vez maior e mais elaborado, até que Carlos Alberto resolveu mostrar para seu professor Clóvis Bramante. O resultado não foi outro: o material estava tão bom que resolveram partir para o livro.
Para Carlos Alberto, além da obra ser a mais atualizada da área no momento, outra preocupação norteou a elaboração do livro: as terminologias e nomenclaturas. ‘‘Muitas vezes você vai estudar sobre um canal e, dependendo do autor, ele adota um nome específico para um procedimento e outro autor adota outro nome para o mesmo procedimento. Se você é um estudante, muitas vezes terá que pesquisar muito para descobrir que os dois nomes estão tratando sobre a mesma coisa, então resolvemos padronizar os nomes e procedimentos, explicando que determinada técnica pode ter também outros nomes. Foi um trabalho difícil, mas acho que valeu’’, acredita.
O livro ‘‘Endodontia’’ será colocado à venda nas livrarias do Paraná, após o lançamento no dia 23. Até o fechamento desta edição, o preço ainda não estava definido.

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