Moradia futurista combina tecnologias
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de julho de 2000
Agência O Globo Do Rio 
Um home office único instalado num apartamento de subsolo num bairro nobre da Zona Sul do Rio. Assim é a casa do engenheiro químico, mergulhador e expert em TI Antônio Kleber de Araújo. Quando se entra, logo se nota a música onipresente oriunda de um canal da Sky, conectado às caixas do home-theater instalado no jirau sobre a sala. Há ao todo cinco PCs ligados em rede a um servidor logado na Web o dia inteiro. Isso aqui não existe, você vai ter de tomar a pílula azul como em Matrix para voltar à realidade, brinca Kleber.
O próprio dono é a síntese de sua casa. Ele circula o tempo inteiro com um head-set (fones com microfone acoplado) ligado a um telefone sem fio que fica preso em seu short. Dali, atende a chamadas de telefone e interfone sem interromper qualquer tarefa. Junto à porta de entrada, há uma minicentral telefônica que controla o processo.
Eu costumava ter uma ligação direta com meu celular também, conta Kleber. Mas aí o pessoal tocava o interfone, eu atendia e dizia Olha, estou numa reunião em São Paulo, não dá para falar agora, e ninguém acreditava. As pessoas retrucavam: Deixa de ser mentiroso, eu estou aqui bem na porta da sua casa! (Risos).
O que chama a atenção nas combinações tecnológicas do lugar é a diferença de idade. Por exemplo, o servidor Pentium é ligado a um velhíssimo teclado Korg dos anos 60 que Kleber usa para reproduzir downloads musicais. Quando quero, por exemplo, curtir uma cítara, entro num site, faço o download do midi e coloco o teclado para reproduzir o arquivo.
Outra combinação original é a de um amplificador inglês da marca Quad de 1961 com um moderno discman e enormes caixas de estúdio (jurássicas) Altec-Lansing. Com um transformador de saída antigo, de 50 quilos, dou ao som digital a dinâmica do analógico, explica, exibindo um trecho jazzístico em que de fato se sente a tessitura do piano e o ribombar do contrabaixo.
Entretanto, a menina dos olhos de Kleber é o seu home theater. Num dos PCs usuários, o Rex , ele insere o DVD do filme Matrix e, com um Palm Pilot, seleciona o modo vídeo na TV (pendurada na parede diante do jirau). O palm também é usado para selecionar TV aberta ou paga e trocar canais. O DVD pode ser assistido e/ou manipulado na tela do PC ou na TV, e o som, em dolby surround, é ensurdecedor. O espectador se sente dentro do filme. Detalhe: as caixas acústicas são igualmente antigas.
A imagem ainda tem uma leve flutuação devido ao excesso de eletromagnetismo aqui, diz Kleber. Mas vou trocar toda a conexão por fibra óptica e isso vai sumir.
O Rex é, por sua vez, ligado a uma velha impressora usada para imprimir briefings para as reuniões do dono em papel formatado e picotado para sua agenda pessoal.
Diz o Talmude que a principal coisa na vida não é o conhecimento, mas o uso que dele se faz. É assim também na tecnologia, conclui.


