Um home office único instalado num apartamento de subsolo num bairro nobre da Zona Sul do Rio. Assim é a casa do engenheiro químico, mergulhador e expert em TI Antônio Kleber de Araújo. Quando se entra, logo se nota a música onipresente – oriunda de um canal da Sky, conectado às caixas do home-theater instalado no jirau sobre a sala. Há ao todo cinco PCs ligados em rede a um servidor logado na Web o dia inteiro. ‘‘Isso aqui não existe, você vai ter de tomar a pílula azul como em Matrix para voltar à realidade’’, brinca Kleber.
O próprio dono é a síntese de sua casa. Ele circula o tempo inteiro com um head-set (fones com microfone acoplado) ligado a um telefone sem fio que fica preso em seu short. Dali, atende a chamadas de telefone e interfone sem interromper qualquer tarefa. Junto à porta de entrada, há uma minicentral telefônica que controla o processo.
‘‘Eu costumava ter uma ligação direta com meu celular também’’, conta Kleber. ‘‘Mas aí o pessoal tocava o interfone, eu atendia e dizia ‘Olha, estou numa reunião em São Paulo, não dá para falar agora’, e ninguém acreditava. As pessoas retrucavam: Deixa de ser mentiroso, eu estou aqui bem na porta da sua casa!’’ (Risos).
O que chama a atenção nas combinações tecnológicas do lugar é a ‘‘diferença de idade’’. Por exemplo, o servidor Pentium é ligado a um velhíssimo teclado Korg dos anos 60 que Kleber usa para reproduzir downloads musicais. ‘‘Quando quero, por exemplo, curtir uma cítara, entro num site, faço o download do midi e coloco o teclado para reproduzir o arquivo.’’
Outra combinação original é a de um amplificador inglês da marca Quad de 1961 com um moderno discman e enormes caixas de estúdio (jurássicas) Altec-Lansing. ‘‘Com um transformador de saída antigo, de 50 quilos, dou ao som digital a dinâmica do analógico’’, explica, exibindo um trecho jazzístico em que de fato se sente a tessitura do piano e o ribombar do contrabaixo.
Entretanto, a menina dos olhos de Kleber é o seu home theater. Num dos PCs usuários, o ‘‘Rex’’ , ele insere o DVD do filme ‘‘Matrix’’ e, com um Palm Pilot, seleciona o modo vídeo na TV (pendurada na parede diante do jirau). O palm também é usado para selecionar TV aberta ou paga e trocar canais. O DVD pode ser assistido e/ou manipulado na tela do PC ou na TV, e o som, em dolby surround, é ensurdecedor. O espectador se sente dentro do filme. Detalhe: as caixas acústicas são igualmente antigas.
‘‘A imagem ainda tem uma leve flutuação devido ao excesso de eletromagnetismo aqui’’, diz Kleber. ‘‘Mas vou trocar toda a conexão por fibra óptica e isso vai sumir.’’
O ‘‘Rex’’ é, por sua vez, ligado a uma velha impressora usada para imprimir briefings para as reuniões do dono – em papel formatado e picotado para sua agenda pessoal.
‘‘Diz o Talmude que a principal coisa na vida não é o conhecimento, mas o uso que dele se faz. É assim também na tecnologia’’, conclui.

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