Cada montadora vai gastar de US$ 20 milhões a US$ 40 milhões em sistemas para evitar o chamado ‘‘bug do milênio’’, o problema do registro das datas após 1º de janeiro de 2000. A informação é de Jocélio da Silva Cândido, membro do grupo de trabalho do Projeto do ano 2000, criado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para ajustar os sistemas do setor. A indústria automobilística fixou o final deste ano como prazo máximo para concluir o ajuste.
Uma das maiores preocupações do setor é o atraso dos trabalhos na cadeia, principalmente entre os fornecedores. Cândido calcula que apenas 30% dos fabricantes de autopeças estão trabalhando no ajuste num ritmo igual aos das montadoras.
‘‘À medida que o tempo vai passando, esse ajuste vai ficando mais caro’’, disse. Segundo ele, se as empresas deixarem para resolver o problema no ano que vem, deverão enfrentar falta de mão-de-obra especializada.
As montadoras começaram a se preparar para o ‘‘bug’’ do milênio em 1995. O grupo de trabalho da Anfavea acredita que o setor é um dos mais adiantados no Brasil nessa área.
Segundo o gerente de reengenharia de processos da Ford, outro integrante do grupo de trabalho, Luiz Carlos Ciocchi, o problema é tão grave que, nos Estados Unidos, o nível de preparação das empresas para o ‘‘bug’’ é avaliado como fator de risco para os investidores em ações em Wall Street.
Os integrantes do grupo da Anfavea calculam que os maiores fornecedores também terão de gastar até US$ 20 milhões cada para fazer o ajuste. Eles admitem que a crise econômica pode prejudicar. ‘‘Mas este é um projeto que não pode ter o prazo alterado; dezembro de 1999 vai cair em dezembro de 1999 mesmo’’, ironizou Ciocchi.

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