Modems de 56K, esses incompreendidos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Agência Globo 
Zeca Fonseca/Agência GloboPadrãoCom arquivos de 10 Mb andando pela rede, modems poderosos acabaram virando carroçaSerá o momento certo para fazer um upgrade no seu modem? Afinal, modelos novos surgem praticamente todos os meses e é grande a tentação de haurir alguns bytes por segundo a mais com um pequeno upgrade.
Antes de decidir, é bom tomar tenência do que rola no mercado. O modelo de modem mais comum hoje obedece ao padrão V.34, que permite conexões de até 28Kbps. Podia ser o máximo na época dos BBS, quando os downloads eram de 200Kb. Hoje, não. Com arquivos de 10Mb andando pela rede, modems que pareciam bólidos viraram carroças e a larga avenida de outrora se transformou numa viela estreita e muito incômoda.
O modelo imediatamente superior ao V.34 acrescentou um sinal de + ao lado do nome, se chama V.34+, e trabalha com um teto ligeiramente superior, 33.6Kbps. Mas por falta de padronização (entre provedores e usuários) muita gente ainda se conecta a 28K mesmo, apesar das janelinhas do Windows afirmarem o contrário. Isso porque as conexões acontecem sempre na melhor velocidade possível para as duas pontas da linha e, como os equipamentos vão se ajustando às condições de ruído das linhas, raramente se ultrapassa a faixa dos 21K ou 26K.
O cenário estava assim desenhado quando, há cerca de um ano, a finada US Robotics estabeleceu um padrão para modems de 56K, conhecido como X2. Segundo a empresa, o X2 poderia duplicar a velocidade de conexão entre dois computadores desde que, nas duas pontas da linha, estivessem dois equipamentos X2 e, entre eles, uma linha digital.
Segundo o Laboratório de Redes de Alta Velocidade www.ra vel.ufrj.br, da Coppetec/UFRJ, isso nem sempre é necessário. Os estudos coordenados pelo professor Luís Felipe Magalhães de Moraes mostraram que, mesmo em condições aparentemente desfavoráveis - linhas com ruído e trajetos não inteiramente digitais - a tecnologia X2 mostrou seu valor. Os testes com o equipamento da 3Com foram realizados com o X2 em apenas uma das pontas - especificamente na do provedor -, o que torna os resultados ainda mais representativos. Ou seja: o X2 é bom o suficiente para, mesmo estando sozinho, melhorar a qualidade de uma conexão não-digital com um modem não-X2.
Que outras opções o mercado tem, além do X2? Muitas, mas todas aparentemente confusas. A PC Magazine testou, há três meses, os principais modems disponíveis nas prateleiras das lojas (do hemisfério norte, claro) e chegou a algumas conclusões interessantes. A principal delas: não adianta correr com o andor porque o santo, no caso, o padrão de 56K, ainda é de barro. Há modelos bem-sucedidos, mas o padrão-padrão mesmo só vai ser definido quando o ITU (International Telecommunications Union, algo como Sindicato Internacional das Telecomunicações), instância máxima de homologação dos padrões de comunicação de dados, divulgar suas especificações, o que só deverá acontecer no início do ano que vem.
Mas, de três meses para cá, muita água rolou. Há duas semanas, a Motorola, que vinha exercendo um papel importante nesse jogo, colocou sua fábrica de modems à venda. Ficaram na roda apenas a 3Com/US Robotics, de um lado, com o X2, e, de outro, o grupo conhecido como Consórcio 56Kflex, que inclui basicamente Rockwell, Lucent, Diamond (que a gente conhece pelas placas de vídeo), HP, Hayes (que já foi praticamente dona do mercado na época dos modems de 2.400bps), Zoom, Philips, Boca Research, Simple Technology e outras menores.
A grande vantagem do K56 é o fato de sua arquitetura ser aberta, explica Cassio Espina, diretor da Trelis, que representa a Hayes no Brasil. E estamos otimistas porque sabemos que mais de 70% dos modems vendidos hoje, em regime de OEM (Original Equipment Manufacturer), são solidários à tecnologia do Consórcio 56Kflex.
Contudo, a julgar pelo que ocorreu nos últimos anos, o padrão deverá render-se a três critérios: 1) será aquele que mais investir no conceito de upgradabilidade, ou seja, a capacidade de atualizar o BIOS do modem por software, baixando pequenos programas pela Internet; 2) será também aquele que oferecer o menor risco de conflitos com os padrões adotados pelos provedores; e, 3) aquele com o melhor preço.
No que diz respeito à upgradabilidade, as duas alternativas estão empatadas. Os signatários do K56 asseguram que suas BIOS poderão absorver as especificações divulgadas pela ITU. A 3Com/USR diz a mesma coisa e vai além: garante total compatibilidade com o padrão ITU. Será? É melhor esperar.


