O grande segredo no uso do solo-cimento consiste na correta compactação da mistura. A massa de terra, cimento e água é compactada entre dois pranchões ou formas de madeira, através de soquetes apropriadas. ‘‘Este sistema é uma evolução do tradicional sistema de taipa-de-pilão’’, explica o arquiteto Eduardo Salmar. Ele não requer tijolos, reboco, cintas ou baldrama e a pintura é feita diretamente na parede pronta, sem revestimentos.
Uma parede monolítica com solo-cimento custa 37,6% menos que uma de bloco de concreto; 39,6% menos que uma de tijolo baiano e 53,3% menos que uma de tijolo maciço. A matéria básica, ou seja, a terra, pdoe ser retirada facilmente das próprias áreas de construção.
Para se erguer uma casa com solo-cimento também não há necessidade de mão-de-obra especializada. ‘‘O método é muito simples e permite até a ajuda de idosos e crianças’’, diz Hélio Dias da Silva. Para isso, os arquitetos da Unimep desenvolveram sistemas rápidos de treinamento de pessoal. ‘‘Em apenas um dia podemos preparar pessoas que repassarão a tecnologia à sua comunidade’’, explica.
O acompanhamento especializado só é indispensável para fazer a análise da terra que será utilizada na mistura. ‘‘Ela deve ser composta de areia e argila. A terra com muita matéria orgânica, boa para a agricultura, não serve para este caso’’, explica Salmar. Testes de laboratório também ajudam a definir com exatidão a ‘‘umidade ótima’’ da massa. ‘‘Estes detalhes são fundamentais para garantir a durabilidade da obra’’, diz.
A partir desta mistura, o solo-cimento deve ser compactado entre pranchões de madeira, adequadamente parafusado em guias, e com altura variáveis entre 40 e 50 centímetros. Isso permite que as paredes sejam erguidas com muita rapidez. ‘‘Uma construção de solo-cimento demora, em média, metade do tempo utilizado para se concluir uma obra das mesmas proporções com material tradicional’’, quantifica Salmar.
O protótipo de casa popular construído no campus da Unimep mostra a versatilidade e as inúmeras formas de utilização do material. Além das paredes construídas com placas de solo-cimento compactado, foram utilizados tijolos feitos com sistemas de encaixe que dispensam argamassa. ‘‘Um tijolo se encaixa no outro, como naqueles jogos infantis de montar. Estes tijolos são fabricados em uma prensa comum, destas que se utiliza para fabricar blocos, e que podem ser adquiridos a baixo custo por qualquer comunidade que opte por este métdo de construção’’, explica Hélio. (P.S.M.)

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