Missões (quase) impossíveis
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Agência Globo 
Cinco horas da manhã. Tomo um café rapidamente enquanto faço os últimos ajustes no meu avião. Pedais, joystick e headset: OK. Na pista do aeródromo número um, 15 caças bombardeiros P-47 preparam-se para a decolagem. O chat enche-se de mensagens que chegam freneticamente confirmando minhas instruções. No ar, quatro caças leves do Jambock já fazem a cobertura aérea que protegerá os P-47 até o objetivo. Céu sobre F1 clear - confirma a cobertura.
Ordeno a decolagem. Os pesados P-47 começam a alçar vôo em segundos, descrevendo uma trajetória em linha, esforçando-se ao máximo para seguir meu avião o mais proximamente possível.
Nossa base vai ficando cada vez mais distante enquanto alcançamos a altitude e a velocidade necessárias. Batemos um papo descontraído pelo rádio quando somos bruscamente interrompidos por um dos pilotos da cobertura:
- Bandidos púrpuras às 12 horas no alto.
Dois caças inimigos FW-190 ameaçam a formação. Imediatamente os caças da cobertura se lançam contra eles, enquanto os P-47 seguem seu caminho. Uma luta encarniçada começa a se desenhar. Um Focke-Wulf é encaudado e explode em chamas. O outro consegue furar a cobertura e começa a atirar nos P-47. Que, ziguezagueando, evitam um desastre. Um P-47 é atingido, começa a soltar fumaça, mas seu piloto diz que está bem, e que pode continuar até o alvo.
Em formação de combate, os P-47 com suas bombas prontas para lançamento, aguardam a ordem para o mergulho. Bom. Muito bom.
- Senta a pua, rapaziada! Caprichem na mira! - é a minha mensagem que dá o sinal de atacar.
Um a um, vão mergulhando de sete mil pés de altitude contra a base púrpura lá embaixo. A artilharia antiaérea começa a pipocar tão logo percebem nossa aproximação. Explosões, clarões e o barulho das balas acertando a fuselagem do meu P-47 formam um espetáculo pirotécnico.
Alguns aviões inimigos tentam em vão defender sua base, que em poucos segundos se transforma num monte de entulho em chamas. Na recuperação do mergulho, percebo que meu avião foi atingido seriamente e não responde corretamente aos comandos do manche. Um rastro de fumaça negra me diz que é hora de abandonar o avião, porque morrer não é bom - nem mesmo virtualmente. Ao cair de pára-quedas posso visualizar os resultados de nossa eficiência. Apesar das perdas, destruímos e conquistamos o último aeródromo inimigo e com isso ganhamos a guerra. Mais uma medalha para a vasta coleção.
Alexandre Galante é Webdesigner e oficial de operações
do esquadrão Jambock


