Microsoft é alvo de críticas na Internet
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Jay Dougherty, Deutsche Presse Agentur 
Na era da Internet, uma medida do êxito de uma empresa é o número de páginas web dedicadas a ridicularizá-la ou criticá-la. Este é, sem dúvida, o caso do gigante norte-americana Microsoft. O maior produtor mundial de programas de informática, desde o Windows e o Office 97 até o Flight Simulator, a Microsoft sempre foi criticada por usuários que acham que a empresa promete mais do que cumpre.
Agora um número cada vez maior de detratores da Microsoft se dedica a ventilar sua frustração pela Internet. Eu vejo assim: Como você reagiria se seu televisor de repente pifasse quando se mudasse de canal e a única forma de fazê-lo funcionar fosse desligando-o e voltando a ligá-lo outra vez?, diz Samuel Flewelling, um irado estudante norte-americano que abriu uma página web dedicada a Microsoft. E isto é o que se passa com o Windows, supostamente estável e fácil de usar, continua ele.
ReproduçãoO preço da famaHá na Internet dezenas de páginas em que Gates é vítima de chacotas. Algumas de ódio, outras de humor, como a que exibe uma fotografia onde Gates aparece com chifres e corpo de cabra. A maioria dela expõe claramente a natureza invejosa de seus autores, inconformados com a fortuna acumulada em poucos anos pelo empresário norte-americanoMas Flewelling não é o único. Até a semana passada Kurt Winkelman, por exemplo, mantinha no ar o site Microcult, em aparência idêntico ao site oficial da Microsoft mas ironizando seus slogans e produtos. Parodiando o slogan publicitário da Microsoft - Aonde você quer ir hoje? - a página principal do Microcult www.fto.de/hschaefer/microcult/index.htm saúda o visitante com a frase Para onde você quer fugir hoje?. Encontram-se aqui plágios dos programas mais populares da Microsoft, como o Weirdness 95, Intercult Explorer e Microcults Fright Stimulator(Estimulador de Medo).
E os críticos da Microsoft tampouco perdoam o criador dessa empresa gigante, Bill Gates. Há na Internet dezenas de páginas em que Gates é vítima de chacotas. A mais mordaz é a página I Hate Bill Gates.com (Ódio a Bill Gates.com) que, em vez de odiar, trata o rico empresário norte-americano com humor. A página exibe uma fotografia onde Gates aparece com chifres e corpo de cabra, uma espécie de cruzamento de Salvador Dalí e Satã - www.ihatebillgates.com/index2.html.
Na página dedicada às perguntas mais frequentes, um dos visitantes interrogava: Por que odeia tanto Bill Gates?. E o administrador respondia: Eu não odeio Bill Gates. Não gosto de seus programas. Isso porque quanto mais falhas (bugs) encontramos, mais caro fica o software. Deveríamos receber um mata-moscas junto com cada exemplar do Windows 95.
Isto resume de algum modo a razão de existir da maioria dos sites anti-Microsoft: na realidade, há muitos invejosos do sucesso da Microsoft. Inclusive o autor do site I Hate Bill Gates.com admite que de certa forma é um invejoso.
Uma inveja secreta é o motivo por trás do Relógio da Fortuna Pessoal de Bill Gates www.webho.com/WealthClock, site que mede minuto a minuto o estado atual dos milhões do empresário. Baseando-se nas cotações do dia em Wall Street e na fortuna de Gates quando lançou o Windows 95, ele teria nesse exato momento US$ 88.860 milhões. Em um toque mordaz, o site cita um velho provérbio irlandês: Se queres saber o que Deus pensa do dinheiro, só o que tens a fazer é olhar para as pessoas a quem Ele o dá.
Mas a Microsoft não é a única empresa alvo de críticas na Internet. Também o são, por exemplo, a cadeia de lojas Wal-Mart e o gigante bancário que é o Chase Manhattan Bank.
O site Wal-Mart Sucks www.walmartsucks.com permite aos irados clientes relatar suas queixas, desde a sujeira das lojas até a falta de amabilidade dos vendedores.
Scott Harrison, criador do site anti-Chase Manhattan www.chasemanhattansucks.com, afirma que o banco ameaçou processá-lo se ele não tirasse a página da web. Entretanto, muitas empresas que se tornaram objeto da ira dos usuários da Internet preferem ignorar esses sites ou entrar em contato com seus criadores para escutar-lhes as queixas.


