Antes de começar a ler esta reportagem, dê um pulinho na cozinha e tente adivinhar qual é o eletrodoméstico dessa parte da casa que tem maior potencial tecnológico. Se o palpite foi o forno de microondas, suas pistas estão muito frias. Para esquentar o jogo, procure o pinguim. Isso mesmo. Nas pranchetas da Electrolux e da Matsushita/Panasonic, a representante da linha branca mais próxima dos bits é a geladeira. As duas empresas estão desenvolvendo protótipos de geladeiras que terão na porta um computador, com possibilidade de conexão à Internet. O projeto começou a ser desenvolvido no Brasil em fevereiro, pela Electrolux.
O modelo da Panasonic, que começou a ser projetado há um ano, está sendo testado com os habitantes de Tsukuba, cidade-piloto mantida pela Matsushita no Japão. Na sede da Electrolux, na Suécia, também há um protótipo semelhante ao da Panasonic. A exemplo da sede, a Electrolux do Brasil, com fábrica em Curitiba, está dando forma à geladeira com micro.
DivulgaçãoProtótipo da minigeladeira em forma de pinguim da Electrolux, desenvolvido na fábrica da SuéciaO engenheiro Walter Mushino, gerente da área de refrigeradores e freezers da Electrolux, explica que a idéia de fabricar uma geladeira com computador surgiu a partir de pesquisas feitas com o consumidor: ‘‘Gastamos muito dinheiro em pesquisas para identificar as necessidades do nosso consumidor’’, diz. ‘‘Depois de muitas enquetes, percebemos que 75% dos compradores de geladeira transformam o eletrodoméstico no centro de comunicações da casa.’’
Se você enche a porta do seu refrigerador com magnetos e bilhetinhos destinados a toda a família sabe muito bem do que Mushino está falando. Para garantir um visual mais ‘‘clean’’ à geladeira e facilitar ainda mais a vida do consumidor, a Electrolux pensou em acoplar ao eletrodoméstico uma espécie de combinação de agenda eletrônica com editor de textos. Recados serão escritos na tela e poderão ficar arquivados.
Mushino explica que os refrigeradores terão uma tela de cristal líquido na parte de cima e uma caneta óptica, bem semelhante às usadas em computadores de bolso. Os recados, que agora são anotados em papéis e fixados na porta da geladeira com ímãs, poderão ser escritos na tela de cristal líquido.
De acordo com as previsões da Electrolux do Brasil, a geladeira com micro só deverá chegar ao mercado em junho do ano 2000. Mas quem já está pensando em surfar na Internet em frente ao freezer terá que esperar ainda mais. Os projetos que prevêem a conexão do monitor acoplado à geladeira com a Internet só vão decolar depois que o novo modelo de geladeira entrar em linha de produção. Até lá, o consumidor viciado em tecnologia terá que se contentar com inovações como os sensores que calculam a temperatura interna com muito mais precisão.
Walter Mushino explica que se a Electrolux começasse a vender agora o modelo com computador, com capacidade para 360 litros, o preço ficaria em torno de R$ 9 mil. O refrigerador também teria sensores de temperatura, controle de umidade interna, para evitar a queima de verduras, e dispositivo para eliminar odores. Além de não utilizar C.F.C e ter um compressor mais silencioso.
Depois que a geladeira inteligente entrar em linha de produção, os engenheiros da Electrolux estarão envolvidos numa nova etapa: desenhar o sistema de conexão do monitor à Internet. ‘‘Estamos pensando em comodidade. Com o acesso à Internet, o consumidor poderá fazer compras sem sair da cozinha, basta acessar o site do supermercado no computador da geladeira’’, afirma Mushino.
Pensar no futuro é uma tarefa diária para os engenheiros da empresa. Na Suécia, a fábrica desenvolveu protótipos de forno de microondas e geladeira que parecem ter saído da casa dos Jetsons. O forno de microondas parece um ovo estalado, e a geladeira tem a forma de pinguim. ‘‘Esses eletrodomésticos seguem uma tendência mundial de economia de espaço, por isso são menores do que os modelos convencionais’’, diz Mushino.

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