Micro é aliado de menino portador de deficiências
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segunda-feira, 04 de dezembro de 2000
Luciano Augusto De Londrina 
Andar, falar, escrever... Tudo isso parece ser muito fácil para a maioria das pessoas. Mas há quem faça disso uma luta para ser vencida em batalhas que, graças à dedicação dos que o rodeiam, terminam em vitórias. Os portadores de deficiências múltiplas, por exemplo, são obrigados a encarar essas tarefas como quase impossíveis. Para algumas dessas pessoas, o computador pode ser de extrema importância, servindo como ferramenta de aprendizagem e de melhoria da qualidade de vida.
É o caso do aluno Elias Corrêa de Araujo, de 11 anos, que estuda na Escola de Educação Especial Santa Rita, da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), em Londrina. Portador de deficiências múltiplas paralisia dos membros inferiores, superiores e cognitiva , Elias está usando o computador para se comunicar e se alfabetizar. Com o computador, criou-se um código mais convencional para a sua integração, ressalta a coordenadora pedagógica da entidade, Marlizete Bonafini Steinle. Antes do computador, ele só se comunicava por meio de sinais, movendo os olhos para cima (sim) e para baixo (não). Mesmo sendo portador de paralisia cerebral, a coordenadora diz que o garoto não tem um comprometimento muito acentuado na sua capacidade cognitiva. Após as adaptações e com seis meses de treinamento, ele é capaz de escrever o próprio nome, reconhece comandos como DELETE e todas as letras. Também consegue corrigir o que escreve. Ele escreve e confere o que escreveu na tela, completa a professora Daniela Von Stein.
A mãe de Elias, Maria Adelia Batista de Araújo, conta que a paralisia cerebral foi conseqüência de diversas paradas cardio-respiratórias, quando ele tinha pouco mais de dois meses de vida. Hoje, entretanto, o filho está bem melhor e os medicamentos foram todos suspensos. Ele gosta de escrever e entende mais de computador do que eu, comemora. A minha vontade é ver ele escrevendo e, quem sabe, até arrumar um emprego.
E a sorte parece estar mesmo do lado de Elias. Numa ação entre amigos realizada na APAE, ele ganhou um Notebook. Agora, vai poder usar o computador também em casa. O novo equipamento também terá que ser adaptado e para poder ajudar o filho, Maria Adelina quer fazer um curso de computação. Para poder usar o micro como ferramenta de comunicação, foram necessárias algumas adaptações. Primeiro, o marceneiro da APAE construiu um cavalete para prender o teclado na posição vertical. Em seguida, a terapeuta ocupacional da entidade, com a ajuda da professora, fez um apoio de cabeça baseado num aparelho odontológico. Na ponta do aparelho, foi colocada a caneta usada para acionar as teclas. Mas, para dar mais precisão à escrita e agilizar o aprendizado, precisa ser instalado no teclado do micro uma espécie de colméia de acrílico, que separa todas as teclas e evita que a caneta escorregue.


