Métodos simulam o pensamento humano
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Da Redação 
Os avanços da medicina estão cada vez mais ligados aos da tecnologia. Problemas que até pouco tempo não tinham solução, hoje podem ser resolvidos com a ajuda de máquinas. Isso está se tornando mais claro com o desenvolvimento de novas ciências como a Inteligência Artificial (I.A.), que estuda métodos programáveis em computador capazes de simular atividades mentais humanas que envolvam inteligência. Um dos principais ramos de I.A. são as redes neurais artificiais (RNA), que têm funcionamento parecido com as redes de neurônios biológicos. As aplicações dessas redes são variadas como, por exemplo, a identificação de doenças cardíacas.
O projeto Identificação Neural de Bloqueios Cardíacos foi desenvolvido pela professora de computação Vânia B. Machado, da Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande, e pelos professores Ailson de Almeida e Eliudem Lima da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Consiste em uma rede neural artificial que detecta doenças no coração com rapidez e eficiência.
Esse dispositivo contribui, sobretudo, para o monitoramento contínuo de pacientes em tratamento intensivo, podendo armazenar informações de eletrocardiogramas como arritmias. A rede também identifica bloqueios cardíacos através de estímulos elétricos. Tais bloqueios são detectados pela dificuldade ou impossibilidade do sinal elétrico se propagar nas diversas regiões do coração (veias, artérias ou ventrículos).
Ondas cerebrais As experiências do projeto foram realizadas no Laboratório de Fisiologia do Exército (Lafex) da Universidade Federal do Espírito Santo e no Instituto do Coração da cidade de Vitória. Os dados cardíacos foram obtidos em testes ergométricos e armazenados no disco rígido do sistema.
Para a professora Vânia, a vantagem da identificação neural é que, ao contrário dos eletrocardiogramas, a informação não se perde e é possível fazer uma avaliação mais precisa e correta do paciente. Ela diz que o método também pode ser utilizado para identificar outros tipos de doença.
Ao estudar métodos de simular o pensamento humano, a I.A., quando aplicada à medicina, alimenta as esperanças de médicos e pacientes. Os maiores avanços se dão em projetos para um futuro próximo, em que principalmente os portadores de deficiência física ou mental serão beneficiados.
Segundo um levantamento realizado pelo repórter Peter Thomas, da revista New Scientist, laboratórios do mundo inteiro se empenham em buscar soluções. São projetos que auxiliam deficientes a usar ondas cerebrais para controlar processadores de texto e cadeiras de rodas. Também se intensificam a criação de braços ou pernas mecânicas inteligentes, que possam responder a comandos cerebrais.
Mas por enquanto, a ciência ainda não conseguiu este grande salto. O pesquisador Stephen Roberts, da Faculdade Imperial de Londres, estuda maneiras de como um deficiente pode controlar uma cadeira de rodas através da atividade cerebral. Mas esbarra nas imprecisões das análises cerebrais, que nunca são 100% corretas: Quando falamos em controlar uma cadeira de rodas, mesmo 90% não bastam, é preciso atingir a perfeição.


