Olhar enigmático, cabelos repicados e óculos modernos. Ao olhar o rosto do designer de games, Hideo Kojima, percebe-se que há algo diferente naquele japonês, de meia idade, nascido em Tóquio. Difícil defini-lo, mas se isso for feito baseado no seu último game criado – Metal Gear Solid V: The Phanton Pain – a palavra é genialidade, mais uma vez. A nova obra prima lançada pela Konami, e desenvolvida pela Kojima Productions, traz um "grand finale" para a série, que completa 28 anos sob a batuta do "mestre Kojima", como dizem muitos fãs pelo mundo. Uma unanimidade. E a reportagem da FOLHA teve a oportunidade de testar o novo game.
A primeira vez que me deparei com Metal Gear foi no Playstation 1, no final da década 1990. Não conhecia Kojima, mas já era fã dos games da Konami. Bastou jogar por meia hora para saber que se tratava de um jogo de ação e furtividade diferenciado. Me lembro de algumas cenas marcantes, como fumar um cigarro ou tomar um remédio para que a tremedeira do soldado Solid Snake parasse no momento de usar um rifle de longa distância. Sem falar do final do jogo, um marco da história dos videogames, em que na luta contra o grande vilão, Psycho Mantis, que consegue ler todos os movimentos de Solid, só é possível vencê-lo trocando o controle da primeira para a segunda porta de entrada do console, fazendo com que Psycho não "leia mais" suas ações. Algo único no mundo dos games.
Em Phanton Pain, Kojima – que deixou a Konami recentemente – utiliza toda capacidade dos consoles de nova geração para fechar a série em grande estilo. Dessa forma, ele conseguiu criar um jogo de mundo aberto (desejo dos fãs), em que é possível completar as missões das mais diversas maneiras, com base na criatividade e habilidade de cada jogador. O gamer pode ser um soldado mais agressivo, que gosta de matar a todos que vê pela frente, ou usar as inúmeras possibilidades de furtividade que o jogo oferece. Não há limites no novo Metal Gear, a linearidade e os longos diálogos foram deixados de lado para colocar em primeiro plano uma experiência de jogo incrível.
Ok, não é fácil assimilar a história de Metal Gear, afinal, são quase três décadas entrelaçadas entre diversos jogos lançados, além de idas e vindas no enredo. Talvez seja preciso ler um pouco pelas páginas da internet, ver alguns vídeos no YouTube, para entender a trajetória de Big Boss. Mesmo assim, se o jogador nunca colocou as mãos neste game, ele é válido por todas ferramentas de jogabilidade que oferece.
Phanton Pain também "ganha" os fãs da série e jogadores iniciantes nos pequenos detalhes, que poucos produtores trabalham com tanta intensidade como Kojima. Aí vão alguns deles: se Big Boss fica sem tomar banho por muito tempo, você atrai os inimigos devido ao cheiro ruim, é possível usar armas d’água para queimar equipamentos eletrônicos, distrair guardas com posters de pin-ups, os turnos de soldado mudam a cada 12 horas e muito, mas muito mais. O game custa em média R$ 200 e se existe dúvida em relação ao investimento - ela acaba aqui. Este definitivamente é o melhor jogo de 2015 até agora.

mockup