Givaldo BarbosaSérgio Motta: polêmico em várias áreas teve boa aceitação entre provedoresA morte do ministro Sérgio Motta, na semana passada, abalou o setor de telecomunicações e, como não poderia deixar de ser, a sociedade internauta brasileira. Entre provedores e membros do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Motta é considerado um grande herói por ter permitido que a Internet comercial se desenvolvesse sem a intervenção das empresas estatais. Apesar de um certo clima de incerteza no ar - afinal a Internet virou um grande filão no país - a comunidade internauta acha que a linha de atuação criada por Motta terá continuidade.
Airton Luciano Aragão, representante do Ministério das Comunicações no Comitê Gestor, acredita que não há riscos de mudanças com relação ao desenvolvimento da Internet comercial. Ele lembra que Motta foi o principal responsável pela não regulamentação da Internet no país e não vê motivos para o Governo mudar a postura. Já Charles Miranda, diretor técnico da Associação Nacional dos Provedores de Internet (ANPI) e diretor de Internet da Assespro, acha que o panorama é de incertezas.
‘‘Até agora o processo foi muito bem conduzido. Mas a morte do ministro significa uma perda e tanto, pois foi ele quem bloqueou a iniciativa das concessionárias do Sistema Telebrás de entrar no mercado da Internet comercial desde o início do processo’’, comenta Miranda.
Para o diretor da ANPI, o mercado ainda não se recuperou da perda do ministro e ainda é cedo para tomar qualquer posição. Miranda acha que o melhor a fazer no momento é aguardar. Antonio Tavares, presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informação da Rede Internet (Abranet) diz que riscos de mudança na política sempre existem, pois trata-se de uma área que concentra muitos interesses, mas ele acredita que o modelo desenhado por Motta foi muito bem elaborado e deverá ser mantido por seus sucessores.
‘‘ Motta foi o grande herói da Internet no Brasil. Sem ele, o estabelecimento da Internet comercial poderia ter ficado nas mãos da Embratel e das teles. Ele nos deixou uma lição muito grande e modernizou o setor de Telecomunicações, aproveitando a experiência vivida por outros países’’, diz Tavares.
De acordo com o presidente da Abranet, a estrutura da Internet brasileira já está organizada e não há chances de reverter o processo. Tavares explica que poderá haver uma precipitação da entrada das teles no mercado, o que já estava previsto. Mas, na opinião dele, as empresas provedoras de serviços de telecomunicações que ainda não entraram no mercado de Internet não terão competência para fazer isso mais tarde.
Raphael Mandarino, secretário executivo e representante dos usuários do Comitê Gestor, acredita que ficará tudo igual, sobretudo, por estarmos a nove meses do final do Governo, que apoiava as decisões de Motta.

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