MERCADO DIGITAL - Tendências para o futuro da TI
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de dezembro de 2011
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
A indústria vai mudar drasticamente nos próximos anos, declarou Mark Hurd, CEO mundial da Oracle. Foi neste tom que executivos da Oracle falaram com jornalistas, parceiros, clientes, profissionais de TI na quinta edição da Oracle Open World 2011, realizada nesta semana no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Eventos como este podem funcionar como um termômetro para as principais demandas e tendências das empresas e pessoas na área de Tecnologia da Informação.
Em relação à grande mudança na indústria, Hurd citou, entre outros indicadores, dados da Gartner de que os gastos com TI na América Latina devem crescer 53% de 2008 a 2015. O presidente da Dell (parceira Oracle) no Brasil, Raymundo Peixoto, ajudou a contextualizar a preocupação das empresas com investimentos na área afirmando que, nos próximos 10 anos, a geração de dados digitais será multiplicada por 44.
Os dispositivos móveis colaboram para a estimativa: em 2020, a previsão é que haja 10 bilhões deles conectados à internet no mundo. E as redes sociais contribuem para que, mesmo aqueles dados que não considerávamos críticos, se tornem críticos. Eu já até fechei negócio pela rede social, lembra Peixoto.
Diante deste cenário, a tendência é que as companhias passem a investir cada vez mais em infraestrutura de armazenamento e proteção de dados. Um dos principais destaques citados pela multinacional no evento foram as soluções que eles chamam de Exadata e Exalogic, que configuram a principal estratégia da Oracle, segundo Luiz Meisler, vice-presidente executivo da Oracle América Latina: oferecer ao cliente a solução completa a integração de hardware e software. Exadata é o produto que mais cresce na Oracle, afirmou o presidente.
De acordo com ele, o que os dois produtos fazem é simplificar o que para as empresas que adquiriam várias soluções diferentes e lançavam mão de tentativas para integrá-las estava cada vez mais complicado.
Internet das coisas
Notes e netbooks, tablets, telefones celulares, televisores, impressoras, todos estes aparelhos já têm uma plataforma, acesso à internet e podem interagir entre si. Exemplo que já podemos ver em alguns smartphones por aí é a tecnologia NFC (Near Field Communication), que permite transmitir informações entre telefones celulares e outros dispositivos apenas com a proximidade. O panorama foi apresentado por Terrence Barr, tecnólogo sênior para Tecnologias Móveis e Embarcadas da Oracle, que se disse uma pessoa entusiasmada com as possibilidades do futuro.
Hoje, o consumidor quer ter mais conectividade, serviços mais ricos e interativos. É o consumo de serviços web. Num futuro próximo, geladeiras e até lâmpadas terão conectividade, prevê Barr. É o que ele chama de internet das coisas. Em 2020, serão 50 bilhões de coisas conectadas e que poderão ter processos monitorados, e até serem controlados remotamente.
O Java (linguagem de programação da Sun Microsystems, adquirida pela Oracle) está presente em mais dispositivos móveis que a concorrência, afirma Barr. Run anywhere é o slogan da última atualização de uma das famílias Java, pensadas agora para rodar em uma gama maior de dispositivos. O objetivo é entrar neste mercado de produtos conectados. Em dois anos, queremos cobrir todas as plataformas com menos soluções.
No Brasil, um exemplo latente de que a internet das coisas já começa a acontecer é o da televisão digital nacional, cujo padrão leva o Java em suas especificações, lembra Paulo Riscalla, líder da área de Java OEM e Parceiros da Oracle para a América Latina, permitindo utilizar serviços como internet banking e e-commerce na telinha. Os usuários terão (em sua casa) um portal, não uma TV.
A Sun Microsystems já está trabalhando com uma subsidiária alemã para fazer monitores de respiração conversarem com médicos e clínicas, segundo Barr. O médico pode ver os dados e controlar o funcionamento do seu dispositivo. Mudar níveis de oxigênio e pressão remotamente e ser notificado caso haja algum problema, explica. A Cinterion (nome da subsidiária alemã) usa módulos com base em Java há muito tempo. Para ele, isso geraria até novos campos de trabalho e os negócios se tornariam mais eficazes.
Soluções inteligentes
Produtos dentro do conceito de cidades inteligentes têm sido anunciados com grande festa pelas empresas da área de TI nestes últimos anos, agora ainda mais no Brasil, haja vista a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas neste país. Soluções que têm como fim criar integração e administrar mais eficientemente os serviços de uma cidade são fatores indispensáveis para que o Brasil obtenha sucesso no grande campo de logística que se tornará com a vinda do evento mundial.
O vice-presidente de Indústria, Manufatura e Distribuição da Oracle para a América Latina, André Papaleo, ressaltou a necessidade de soluções inteligentes na área de segurança e saúde. Na área de segurança, sugeriu a integração de bases existentes de informação como Polícia Federal, Polícia Estadual, passaporte, CPF, companhias aéreas, entre outros.
Na área de saúde, esta integração possibilitaria que o paciente pudesse ser atendido mais rapidamente, com acesso fácil ao histórico de saúde, seguro social e estrutura de transporte, por exemplo. Mas enfrenta ainda reação dos consumidores pela questão da privacidade e da ética, ressalva o vice-presidente.
De acordo com Papaleo, no Brasil as negociações para que haja soluções neste sentido já estão avançadas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Recife, mas outras localidades devem ser anunciadas em breve.
Empresas promissoras
Tendo em vista os principais setores que a multinacional considera importantes no Brasil, dá para se ter uma ideia de onde se encontram os maiores investimentos em TI no País. Em quiet period (período de silêncio que precede o anúncio de faturamento), a Oracle não revelou números, mas ressaltou que o Brasil tem grande relevância para a multinacional, uma vez que representa 45% da América Latina (em território).
Os serviços financeiros (com clientes como Banco do Brasil e Bradesco), telecomunicações (com Oi na carteira de clientes), varejo (Grupo Pão de Açúcar é um exemplo), óleo e gás (Petrobras e Grupo Ultra), engenharia e construção ( Odebrecht), e o poder público são os setores que mais chamam a atenção da multinacional no mercado brasileiro.
* A jornalista viajou a convite da Oracle



