MERCADO DIGITAL - Telefone Celular: novo alvo dos malwares
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Mie Francine Chiba <br>Reportagem Local 
Com a preferência cada vez maior dos usuários pela mobilidade, aumenta o interesse de cibercriminosos pelos dispositivos móveis. Conforme estes aparelhos se sofisticam e os usuários passam a utilizá-los para operações como compras e transações bancárias, as atenções destes criminosos virtuais se voltam mais a esse ''nicho''. Dessa forma, os temidos malwares que acometem computadores de todo o mundo começam a aparecer em smartphones e tablets.
Nada, por enquanto, comparado ao número de malwares direcionados a PCs, que somam mais de 60 milhões segundo dados da Mcafee. Por ser tudo ainda uma novidade, a empresa estima que o número de ameaças para dispositivos móveis esteja entre 600 e mil. Mas a tendência é que, acompanhando a previsão de novos lançamentos de dispositivos móveis pelas fabricantes, estes ataques se multipliquem.
A empresa de antivírus estima que, até 2012, 75% dos funcionários estarão utilizando um dispositivo móvel inteligente para o trabalho. E o número destes dispositivos deve superar o de computadores em uma magnitude de até 10 vezes na próxima década.
''A quantidade de opções está aumentando, os preços estão abaixando, ficando muito mais atrativo para o consumidor, e consequentemente, os atacantes se veem mais atraídos. Tudo indica que teremos novidades ainda este ano'', diz o gerente de Suporte Técnico da Mcafee para a América Latina, José Matias Neto. De 2009 para 2010, a quantidade de vírus direcionada a dispositivos móveis cresceu 46%.
Um agravante é que muitas pessoas ainda não se deram conta do que estão carregando no bolso, ele continua. ''As operadoras vendem os aparelhos como forma de entretenimento, mas os smartphones vão muito mais além. São pequenos computadores de bolso. E as pessoas esquecem que é um aparelho que pode ser perdido ou roubado.''
Dentro dos telefones celulares, hoje em dia, podem estar informações muito mais valiosas que o próprio aparelho de telefone. Até por causa deste cenário incerto, a professora univesitária Rosani Paiva Ariosi prefere realizar operações bancárias e compras online só pelo notebook. Usuária de smartphones há muito tempo, só recentemente que ela ouviu falar de vírus em celulares.
''Prefiro manter o sistema de Internet Banking só no notebook, porque pelo menos eu sei que há um antivírus instalado. Acho que assim ainda é mais seguro.'' A internet do telefone celular ela usa apenas para consultas rápidas e dar retorno rápido a e-mails e mensagens em redes sociais. ''Celular já é um filão para os hackers, porque as pessoas acessam como se fosse um notebook.''
Em 2004, a Mcafee criou a primeira solução para proteção de telefones celulares a pedido de empresa do Japão, que já se preocupava com isso. Na época, as principais ameaças existentes gastavam a bateria do celular, mandavam SMS aos contatos cadastrados, habilitavam o Bluetooth sem o consentimento do usuário e usava o número do telefone para fazer ligações internacionais.
Mas hoje, os riscos são ainda maiores, alerta o gerente de Suporte Técnico. ''Hoje, o que tem sido visto são softwares que monitoram o uso da internet no aparelho, tentar capturar senhas principamente quando se entra em sites de bancos, capturam SMS para tentar filtrar deles informações como senhas.''
Matias Neto observa que é comum jovens trocarem informações valiosas por meio de SMS, razão pela qual os hackers já estão direcionando ataques a este recurso. ''Os adolescentes publicam RG, CPF e até número de passaporte.''
''Já começamos a ver joguinhos disponibilizados gratuitamente em página da internet que capturam dados e também falsos aplicativos de segurança'', conclui o especialista.


