Um hospital de Londrina provou como a tecnologia pode ajudar com importantes soluções para as rotinas da área da saúde. Inspirados pelos games que usam gestos como forma de interação em substituição aos controles, a equipe de Tecnologia da Informação do Hospital Evangélico apostou no uso de um console de videogame - o Kinect, da Microsoft - como meio para que os médicos visualizassem imagens radiológicas sem precisar tocar em qualquer objeto.
O uso do negatoscópio na sala de cirurgia, um quadro de luz que permite ao médico visualizar estas imagens já está enraizada na cultura médica. Acontece que, o profissional, que está com luvas e precisa mantê-las estéreis, precisa da ajuda de uma terceira pessoa para manusear estas imagens. Ele também fica restrito ao material que foi selecionado por um radiologista, de tamanho definido.
O aplicativo que permitiu usar o Kinect na sala de cirurgia trouxe uma transformação. Batizado de Intera (de interação) foi desenvolvido pela própria equipe de TI do Hospital e parece ter saído da ficção científica. A FOLHA testou a tecnologia e constatou como a ferramenta ajuda os médicos. Sem esforço, as imagens são trocadas, ampliadas e o profissional tem acesso a um sem-fim de imagens armazenadas em pen-drive ou CD. Tudo isso com movimentos intuitivos para ''esticar'' - dar zoom - as imagens ou arrastá-las para um canto da tela.
A ferramenta confere praticidade ao trabalho do médico, agiliza o procedimento, substituindo a manipulação manual pela eletrônica, e ainda dispensa a figura do auxiliar. ''O aumento do tempo cirúrgico nunca é benéfico para o paciente'', observa o neurocirurgião Marcos Antônio Dias.
O objetivo do hospital é instalar o Intera em todas as salas de cirurgia. Para utilizar o recurso, é preciso apenas do console do game, uma tela e um mini PC para ''rodar'' as imagens.
Em breve, a ideia é integrar as imagens produzidas pelo centro de diagnóstico à rede do hospital através do portal médico já disponibilizado aos profissionais. Assim, antes da cirurgia, o médico poderá verificar as cirurgias agendadas e selecionar as imagens que necessitar. ''Isso reduz o risco de o paciente chegar na sala de cirurgia e as imagens não estarem disponíveis'', observa o gerente de TI, Cezar Martinelli.
''Boom'' tecnológico
A evolução tecnológica que já é realidade em outros setores, chega com força à área de saúde. ''A saúde está vivendo (agora) o boom tecnológico que a indústria já viveu 10 anos atrás'', opina Martinelli. Por este motivo, alguns profissionais da ''velha guarda'' podem ficar com pé atrás de usar uma tecnologia nova. Mas, de acordo com o hospital, os médicos estão se adaptando bem ao Intera. ''É de fácil manejo e ajuda bastante durante a cirurgia'', afirmou o urologista Hilius Roberto de Campos.

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