MERCADO DIGITAL - Protegido
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Mie Francine Chiba<BR> Reportagem Local 
A evolução da tecnologia e das redes de comunicação criaram um outro tipo de guerra. Sem armamentos ou ameaças nucleares, os governos têm se preocupado com a guerra cibernética. Embora ainda não tenha sido registrada oficialmente ocorrências concretas de espionagem eletrônica contra o Brasil, fatos mundiais recentes provam que os softwares maliciosos têm realizado ataques de proporções cada vez maiores contra instituições financeiras e pessoas físicas.
Para ficar em um exemplo, a polícia espanhola desarticulou recentemente uma rede que controlava 13 milhões de computadores em todo o mundo por meio do ''botnet'' (rede de computadores zumbis) chamado de ''Mariposa''. Essa rede permitia roubar dados bancários, de correio eletrônico e senhas de milhões de usuários, empresas e até instituições governamentais ou bloquear suas páginas.
No Brasil o governo também está atento. Diariamente, são registradas mais de uma centena de tentativas de invasão nos cerca de 60 mil computadores espalhados em 12 centros que controlam as redes das organizações militares (OM). ''Esses computadores estão tão vulneráveis às ameaças cibernéticas quanto qualquer outra repartição pública'', afirma o General de Brigada Antonino dos Santos Guerra Neto, comandante de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército Brasileiro.
No entanto, a avaliação é que, por enquanto, não há nenhum risco concreto em relação ao que já é chamado de guerra cibernética, com ações mais sofisticadas ou mesmo originárias de outros governos ou de grupos subversivos. Mas a preocupação existe, uma vez que o Brasil cresce em ritmo de se tornar uma das principais economias mundiais e, portanto, pode ser tornar alvo.
''Temos áreas de pesquisa e desenvolvimento no Rio de Janeiro, centros de tecnologia onde dados de pesquisa e desenvolvimento são armazenados, circulam entre uma rede e outra. São dados de valor que devem ser preservados. Se forem perdidos, podem prejudicar anos de pesquisa e desenvolvimento, assim como indicar o nível em que está o desenvolvimento naquela determinada área'', explicou Guerra Neto.
Para proteger essas informações - consideradas de segurança nacional - o Exército Brasileiro firmou, na semana passada, um acordo com a empresa de segurança da informação espanhola Panda Security para a obtenção de licenças do software de proteção específico para o mercado corporativo. ''Essa parceria é uma visão do futuro em que o cenário de guerra passa a migrar para a guerra cibernética'', declarou o general. O acordo vai mais além que a simples compra de solução antivírus.
O objetivo é promover intercâmbio entre o Exército e a PandaLabs, laboratório de tecnologia em cibersegurança localizado em Bilbao (Espanha). Segundo o CEO da Panda, Juan Santana, passam diariamente pelos laboratórios da empresa cerca de 55 mil tipos diferentes de malwares. ''O grande problema da guerra cibernética é que as ferramentas usadas pelos hackers não são mais utilizados para buscar fama e sim para espionar, roubar dados ou destruir comunicações'', afirma, por sua vez, o diretor de produtos da Panda Security, Eduardo D'Antona. E por espionagem, entende-se desde a ação amadora até a espionagem entre Estados.
Intercâmbio
Com o acordo firmado entre a Panda Security e o Exército Brasileiro, a empresa de segurança virtual terá acesso direto aos conteúdos com suspeitas de códigos maliciosos ainda não conhecidos e terá que responder ao Exército, em até 24 horas, detalhes técnicos desses códigos junto aos procedimentos adequados para sua prevenção e detecção e às respectivas vacinas.
Além do suporte técnico ao software da empresa, está previsto um intercâmbio tecnológico entre o Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX) e o PandaLabs. Esse relacionamento pode envolver até o repasse de conhecimentos em prevenção, detecção e combate às ameaças cibernéticas para especialistas do centro.
O acordo entre a Panda Security e o Exército Brasileiro foi firmado no valor de quase R$ 300 mil, pelo período de dois anos, uma ousada iniciativa da empresa espanhola, que com esse valor reduziu em 7.000% as expectativas de gastos pelo Exército.


