Dizem que o futuro da informática está nas nuvens. É cada vez mais comum ouvir esse termo em mídias especializadas, e poucos sabem do que se trata exatamente essa tecnologia e como ela pode facilitar a vida de empresas e, por fim, a de pessoas comuns.
Na verdade, muitas pessoas já usam a tecnologia nas nuvens e nem sabem disso. Quantos já não preferem deixar documentos salvos no e-mail, porque sabem que dessa forma ele pode ser aberto de qualquer lugar, bastando apenas ter acesso à internet? Ou ficou tranquilo sabendo que aquelas fotos estão armazenadas no Flickr, caso as originais sejam perdidas?
Essa é uma das premissas do ''cloud computing'' (ao pé da letra, computação nas nuvens). Os aplicativos e os dados de um computador ficam disponíveis em uma ''nuvem'', formado por vários servidores presentes na internet. Para uma empresa que tem dezenas de funcionários, a tecnologia proporciona menos carga de trabalho à sua estrutura de informática, já que tudo estará ''rodando'' na web: desde o e-mail a programas mais complexos.
E como se trata de uma nuvem de servidores, mesmo que um deles ''caia'', o restante guarda cópias fiéis dos seus recursos, ou seja, eles ficam à disposição do usuário a qualquer momento.
''Cloud computing é uma integração por meio de rede na qual é possível liberar acesso a determinados recursos. E esses recursos são compartilhados'', explica Rafael Herrera, analista de sistemas e pesquisador na área de arquitetura de sistemas distribuídos. Com isso, o conteúdo dos computadores da empresa ou do usuário ficam seguros em um lugar bem longe de problemas pelos quais seus servidores podem passar. ''Os dados permanecem vivos em mais de uma localidade, eliminando o ponto de falha. O servidor pode estar vulnerável a ataques cibernéticos ou falhas de hardware, por exemplo'', pontua o analista de sistemas.
Outra vantagem de usar o cloud computing é a possibilidade de alocar recursos conforme a demanda. Ou seja, à medida que o volume de dados de uma empresa vai aumentando, ela pode investir em mais espaço para o armazenamento. Isso faz com que se torne desnecessário as empresas comprarem ''supercomputadores'' com capacidade para todos os seus recursos.
100 informações por segundo
A empresa de tecnologia em logística Veltrac faz gerenciamento de frotas de veículos para seus clientes. Informações de georreferência, dirigibilidade, temperatura, rotação dos motores - a cada dez segundos - e controle de pontualidade de milhares de veículos monitorados chegam a todo tempo aos computadores da empresa.
Essas informações chegam em forma de mensagens, em um volume de 100 por segundo. Isso significa 6 mil mensagens por minuto, 360 mil por hora, e mais de 8 milhões por dia ou 260 milhões por mês. ''Qualquer evento (dos veículos), a empresa fica sabendo em tempo real'', afirma o diretor executivo da empresa, José Eroni Fernandes. Imagine processar tudo isso em servidores comuns?
Além disso, no contrato firmado com seus clientes, eles garantem 95,5% de disponibilidade do serviço. Já existem seis servidores em Cianorte (80 km a leste de Umuarama) e em São Paulo trabalhando para os computadores da empresa, que já planeja entrar nas nuvens até o final desse ano. Dessa forma, os clientes poderão acessar as informações sobre suas frotas de veículos com menos riscos de enfrentar problemas. ''Eles (os clientes) precisam ter a capacidade de acessar os dados a hora quiserem sem ter quedas de conexão ou indisponibilidades'', observa Rafael Herrera.

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