MERCADO DIGITAL - Navegar é preciso... mas com proteção
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quarta-feira, 02 de março de 2011
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
Há apenas um mês, o servidor público aposentado Daniel de Paula, de 67 anos, começou a dar os primeiros passos no trajeto para o mundo da internet. Entrou no curso de informática e está aprendendo os conceitos básicos do universo digital e os perigos escondidos por trás de cada click.
''Todo mundo está usando hoje em dia, e eu sou analfabeto nisso,'', justifica seo Daniel, completando que o notebook, novinho em folha, está esperando por ele em casa. O internauta de primeira viagem ainda não conhece as ferramentas da web que permitem conversar com quem está longe, mas ter contato com elas é um dos seus principais objetivos. ''Por enquanto é tudo uma incógnita, mas vou aprender. Tenho uma filha nos Estados Unidos e gostaria de poder conversar com ela.''
Geraldo Inácio Loyola, 71, já foi agricultor, militar, comerciante. Agora, com o tempo a favor, arrisca-se nas teclas do computador. ''Pretendo ler jornais, me atualizar sobre as notícias do mundo pela internet, conversar com o filho (que mora longe), passar e-mail para o neto'', ele vai logo dizendo.
Com um pouco mais experiência no curso, dona Amélia Barbosa dos Reis, 76, já troca e-mails com parentes e conhecidos. ''Tive que escrever para decorar como faz'', ela conta. Mas hoje já sabe até diferenciar um e-mail verdadeiro de um falso.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Panda Security para a campanha de conscientização ''Internet em Mãos Seguras'', 90% dos usuários acima dos 60 anos passam mais que cinco horas on-line para checar e-mails, procurar informações sobre atividades de lazer, ler notícias e utilizar serviços de banco na internet.
Os números confirmam que, para muitos, o universo virtual é bastante confortável e, aparentemente, seguro. Conforme a pesquisa, 74% dos idosos entrevistados afirmam se sentirem seguros durante a navegação, e 66% dizem ter conhecimento médio da internet. Mais de 50% já faz compras on-line. Mas, ao mesmo tempo, quase 60% das pessoas ouvidas admitem não ter certeza se sabe se proteger dos perigos da internet, embora tomem algumas precauções para aumentar sua segurança. E poucos mantém ferramentas de segurança instalados nos computadores.
O coordenador do curso de informática do Sesc Londrina, George Baum, confirma que o interesse deste público pela internet aumentou muito nos últimos anos. Hoje, cerca de 40% dos alunos são maiores de 60 anos. ''A maioria quer acessar a internet para contactar amigos e familiares, receber e mandar e-mails, aprender a pagar contas pela web, ter uma atividade, mexer com o cérebro porque o médico recomenda e também para entender o que é esse novo mundo.''
A facilidade de aquisição de um computador, na opinião de Baum, também contribui para o crescimento do acesso dos idosos à internet. Tanto que maioria dos alunos, segundo ele, possui um computador em casa. Só que filhos e netos não têm paciência para ensiná-los e é aí que eles procuram os cursos. ''Eles têm o computador e, como estão mais ativos e com mais iniciativa, vêm e fazem a matrícula.''
Baum lembra também que aquela geração entre os anos 50 e 60 que ainda não entrou na terceira idade, mas está quase lá, também está procurando os cursos de informática para se reciclarem. ''Teve o boom da informática e eles ficaram no mercado de trabalho um pouco perdidos. Estão ainda ativos, resistiram até onde puderam, mas estão vindo para fazer reciclagem.''


