Como tudo converge para o computador, a programação de TV não poderia ficar de fora. O número de pessoas que assistem a conteúdos de vídeo pela internet cresce vertiginosamente. Em junho de 2009, eram 18.506 usuários em frente à telinha do computador. No mesmo mês de 2010, esse número subiu para 25.873. A programação encontrada nesse meio é variada: vai desde vídeos curtos de humor até filmes inteiros.
Os vídeos curtos são velhos conhecidos dos internautas. Vastamente disseminados entre os usuários, eles alcançam a preferência da maior parte dos consumidores desse ''produto'' (96%), conforme constatou uma pesquisa sobre o perfil desse tipo de consumidor. A pesquisa foi realizada pela Havas Digital Brasil, em parceria com a Globosat e a Qualibest e apresentada no mês passado.
De olho nessa tendência, as atrações dos canais de TV estão migrando para esse meio. O SBT suspendeu a exibição da série ''Grey's Anatomy'' na telinha e liberou os episódios da série - que marcava sete pontos no ibope - na rede. O site da Record disponibiliza desde capítulos de novelas até noticiários locais do canal.
O famoso programa da Band ''CQC'' também pode ser visto na internet - seja pelo site do canal ou pelo YouTube. A grande vantagem de ter acesso a conteúdo de televisão pela web é a conveniência de poder assistir ao programa preferido a hora que der. ''Você pode assistir na hora em que precisa. Com está tudo armazenado, não se perde a informação e vê na hora em que está disponível'', afirma o estudante de Engenharia Elétrica, Luiz Carlos Martins Júnior.
O estudante, que diz sofrer por falta de tempo com os compromissos da faculdade, aproveita o período noturno para se manter informado das notícias que perdeu nos telejornais durante o dia. ''Televisão assisto menos do que assistia antes'', declara.
Essa é a principal razão que leva as pessoas a serem adeptas desse hábito, segundo constatou a pesquisa da Havas Digital. Já para o webdesigner Ricardo Rodrigues de Araújo, que gosta de procurar vídeos engraçados, trailers de filmes e propagandas criativas na web, a vantagem é poder ir direto ao assunto que lhe interessa. ''Na TV ficamos mais vulneráveis ao que ela oferece. A praticidade é muito maior.''
Como o pico de audiência de vídeos nesse segmento ocorre depois das 22 horas, ou seja, após o horário nobre da TV, isso significa que uma mídia não ''canibaliza'' a outra, como diz o diretor geral da Havas Digital Brasil, André Zimmermann. ''São mídias complementares'', diz.
Dos dez últimos vídeos visualizados pelos usuários que responderam à pesquisa, seis eram de curta duração, mas quatro deles já indicavam a tendência da TV invadindo a web: eram de longa duração, entre séries e filmes. ''Já é um hábito de consumo. O conteúdo para a TV passa também a ser consumido pela internet'', observa Zimmermann. Mesmo o site YouTube expandiu, recentemente, o limite de duração dos vídeos para 15 minutos.
Para o diretor-presidente da Havas Digital, o fato pode ter relação com o aumento do uso da banda larga no Brasil, que já soma cerca de 82% do tipo de acesso utilizado no País. ''Existe a tendência de ver o conteúdo em linha até por questão de espaço. Fala-se muito de Cloud Computing (armazenamento de dados na nuvem), e a questão do consumo de vídeo segue a mesma ideia.''
Investimentos
Sob este cenário, anúncios feitos especialmente para a internet são cada vez mais comuns e as agências de publicidade já têm uma fatia maior de patrocínio para esse nicho. No ano passado, os sites brasileiros faturaram mais 21,5% em comerciais. O percentual no bolo dos patrocinadores é de apenas 5%, mas é bom lembrar que no Reino Unido a publicidade na internet já ultrapassou a da tevê. ''Eu acredito que cada vez mais vai ser feito o uso de vídeos como plataforma de publicidade. Como conteúdo, isso já acontece'', finaliza Zimmermann.

mockup