Quem é louco por tecnologia passa o dia inteiro conectado, seja em frente ao computador, no celular, no iPod, iPad e afins. Mas, sabe aquele aviso da mãe para não ficar tanto tempo em frente ao computador? Pois é. Novamente ela tem razão e, no que diz respeito aos eletrônicos, este conselho também é verdadeiro.
Computadores e celulares emitem campos eletromagnéticos que podem redundar em efeitos nocivos à saúde. Um telefone celular diretamente na orelha, consegue irradiar 48% a 68% de sua potência para a cabeça e mãos. Quando penetram nos tecidos vivos, estes raios causam aquecimento e a temperatura da parte exposta do cérebro pode aumentar 0,6 graus após 20 minutos de uso.
Quem faz a advertência é o fisioterapeuta Afonso Salgado, que estudou o tema na França e usa seus conhecimentos para tratamento em sua clínica em Londrina. Segundo o fisioterapeuta, o comprimento de onda destes aparelhos é semelhante ao do micro-ondas. Muita gente não acredita porque estes efeitos, normalmente, são imperceptíveis. ''Esse é o grande problema da poluição eletromagnética: no início, é indolor'', ressalta o fisioterapeuta.
Mas com o tempo, isso acarreta patologias como enxaqueca, cefaléia, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, olhos lacrimejantes e até problemas mais graves como estresse, depressão e distúrbios do sono, o que a medicina chama de patologias de efeito acumulativo. ''Isso ocorre a médio e longo prazo. Stress, insônia, fadiga, a pessoa fala que dorme bastante, mas acorda cansada.''
Dia ou noite?
A luz emitida pela tela do computador pode confundir os hormônios. Esse é outro motivo pelo qual usar o computador antes de ir dormir pode ser ruim para a saúde. Salgado explica que a luz da tela do computador entra pela retina e dá um aviso falso ao cérebro de que é dia, inibindo assim a liberação de melatonina, um indutor natural do sono.
''A melatonina é liberada entre 23h e 6h, no breu total'', ele conta. Sem a liberação deste hormônio, a pessoa começa a ter microdespertares durante a noite, o que pode desregular todo o processo hormonal.
E é no sono profundo e com os hormônios liberados nesse período que a fome é inibida e a pessoa absorve o acúmulo de informações adquiridas durante o dia. Como consequência, a pessoa pode ter ganho de peso e apresentar falha de memória.
Tudo no corpo humano segue uma lógica: se a melatonina, o hormônio da noite, não foi liberado, o cortisol, que é o hormônio liberado pela manhã, fica ''bloqueado''. ''É o cortisol que dá ânimo para acordar, e se a pessoa começa a impedi-lo, pode começar a ter depressão'', alerta o fisioterapeuta.
Perigos no quarto
Mesmo desligados, o computador e o telefone podem ser inimigos do sono. Ficar ''offline'' com os aparelhos dentro do quarto não significa que se está livre das ondas eletromagnéticas geradas por eles. Isso porque o computador, por exemplo, irradia um importante campo eletromagnético até 1,50 metro de distância. O Wi-Fi funciona com a mesma frequência dos telefones celulares, assim como o mouse sem fio.
Aquele telefone na cabeceira da cama também pode ser um fator de risco. A base de telefones sem fio irradia campo eletromagnético assim como os celulares. O campo é intenso até 4 metros de distância. O ideal é evitar colocar a base perto ou em locais de vida (corredor, sala de TV, quarto). E acredite: o mais indicado, mesmo é usar telefones com fio.
Mas o ideal mesmo, além de trabalhar só até duas horas antes de dormir, é manter todos os equipamentos desligados da tomada e distantes de onde se passa a maior quantidade de horas. ''Não temos nada no organismo que elimine os efeitos nocivos eletromagnéticos. Só acumulamos'', Salgado avisa.

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